<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>SUBVERSIVO</title>
	<atom:link href="http://subversivo.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://subversivo.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Sep 2010 01:40:55 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.6</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>O Deus vingativo de Kardec</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/09/o-deus-vingativo-de-kardec/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/09/o-deus-vingativo-de-kardec/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 01:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[O Deus vingativo de Kardec]]></category>
		<category><![CDATA[Allan Kardec]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=786</guid>
		<description><![CDATA[Há  pouco tempo conheci um sujeito praticante do espiritismo, da linha  kardecista, que me fez lembrar o quanto os Kardecistas me deixam com  aquela sensação de arrepio que corre pela espinha. Conheço muitos  espíritas, principalmente dessa linha. Na minha própria família, existem  membros importantes do espiritismo Kardecista no Brasil. Já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2 id="post_message_230368"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Há  pouco tempo conheci um sujeito praticante do espiritismo, da linha  kardecista, que me fez lembrar o quanto os Kardecistas me deixam com  aquela sensação de arrepio que corre pela espinha. Conheço muitos  espíritas, principalmente dessa linha. Na minha própria família, existem  membros importantes do espiritismo Kardecista no Brasil. Já freqüentei  suas salas de estudos, e para quem não esta muito habituado com o termo <em>sala de estudo; </em>são  reuniões aberta a todos, gratuitas, que acontecem uma ou duas vezes por  semana, onde os espíritas se reúnem para debater sobre alguns temas,  com palestras, leituras e por fim, há um passe magnético, onde todos  bebem água fluidificada &#8211; uma água que recebeu energias positivas de  médiuns em transe. </span></span></span></span><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Ao  final da reunião, costuma acontecer um animado lanche, vendido, onde as  pessoas podem bater papo, trocar livros, dvd’s e se organizarem para  fazer doações ou qualquer outro ato de boa ação. Freqüentei essas salas,  pois de fato era bem interessante toda semana ter pessoas se  encontrando para debater temas e por fim, passar uma mensagem positiva.  Mas sempre deixei claro, que não acredito em nada daquilo e que estava  ali para verificar se algo poderia ser absorvido para minha vida. Até  que um dia ganhei um livreto com o nome de <em>“Evangelização kardecista para jovens”</em>, onde em um capítulo inteiro, o autor seguindo a lógica Kardecista, explicava muito <em>bondosamente</em>,  que os homossexuais não deveriam ser vistos como pessoas doentes,  desvirtuadas ou aberrações e sim, como por exemplo, no caso do  homossexual masculino; espíritos femininos, que de alguma forma fizeram  mal a algum homem na vida passada e que voltaram a essa vida encarnados  em corpos masculinos, para assim, conseguir saldar sua divida e evoluir.</span></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;"><br />
Fiquei tão pasmo com essa explicação que ao perguntar ao médium que  chefiava a sala de reuniões sobre se ele tinha conhecimento do que  estava escrito ali, que mal consegui tomar fôlego, enquanto recebia  outra explicação ainda mais esdrúxula. Segundo ele, não só são almas  femininas em corpos masculinos e vice e versa, mas que essas almas,  estão tão apegadas ao corpo da outra vida, que se recusam a largar a  feminilidade, os trejeitos, os desejos&#8230;  Após inutilmente eu tentar  alertá-los da ignorância daquelas informações, em um livro para educar  os jovens, abandonei essas salas e passei a colocar os espíritas  Kardecista na minha lista como uma das mais anestesiantes correntes de  NÃO-pensamento do século. Vou relatar parte do porque os coloquei nessa  posição e o porquê os elevei ainda mais, após esse novo encontro com um  desses Kardecistas.</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><strong><span style="font-family: Verdana;">“<em>Para tudo nesse mundo, há uma explicação”</em></span></strong><span style="font-family: Verdana;"> &#8211; O sujeito que estava diante de mim, e que a partir de agora vou  chamar de Allan, é um representante de peças de segurança para  motociclismo, e estávamos ali, na verdade para tratar de trabalho, porém  a todo o momento, Allan repetia essa frase sempre em tom de mistério e,  como se ele soubesse exatamente como desvendá-los. Senti que ele queria  expor algo e fui percebendo que se tratava de alguma coisa relacionada a  misticismo. Como eu gosto desses papos, fui dando corda. Se em algum  tempo eu atacava as pessoas de fé mística, hoje gosto de ouvi-las, pois  elas alimentam a minha total falta de fé. Assim a cada final de  raciocínio, Allan, animado com o rumo que o papo estava seguindo,  finalizava com a tal frase; <em>para tudo nesse mundo, há uma explicação.</em> Eu não lembro exatamente como o assunto começou, mas de alguma forma, o  assunto fez Allan se lembrar do terrível caso em que toda a sociedade  brasileira acompanhou em rede nacional, do assassinato do menino <strong>João Helio</strong>, preso no cinto de segurança do carro, roubado por dois adolescentes.</span></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;"><br />
João Helio, aos olhos de seus pais, foi cruelmente arrastado por 15  minutos &#8211; seu corpo, de um menino de 9 anos de idade; foi consumido pelo  atrito com o asfalto; morreu em meio a desespero e uma dor que  dificilmente, nós, conseguiremos imaginar. Uma morte tão cruel, que  chocou e choca, qualquer Ser Humano. E para o meu total estarrecimento.  Em plena tarde ensolarada. Allan, Kardecista, um cidadão de bem, tinha a  explicação para a morte de João Helio. E pasmem. O relato a seguir é  uma psicografia, ou seja, uma carta, supostamente recebida por um  médium, que incorporou o próprio João Helio após sua morte:</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">- &#8211; -<br />
</span></span></span></span><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
“PSICOGRAFIA DO MENINO JOÃO HÉLIO.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
</span></em></span></span></span><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;">&#8216;Nasci na Gália no ano de 22 AC e desencarnei na Líbia no ano 20 da era cristã.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;">Fui oficial da legião dos leões que estava na Líbia, Núbia.<br />
Como governador de Al Katrim, me comprazia atrelar na minha biga, puxada  por dois cavalos velozes, crianças, homens, mulheres, novos e velhos,  que eram puxados através da estrada seca e pedregosa daquela região da  África.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
Os corpos se despedaçavam e eu era exaltado pelos meus pares&#8230; Morri em  combate com tropas egípcias e me deparei em uma região de treva  profunda, talvez uma caverna.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
Muitos gritos e rostos aterradores me esperavam.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
Fui levado a um estado de total animalidade por mil e quinhentos anos, quando servos de Maria me resgataram.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
Sendo levado a outro plano, fui aos poucos tendo meu espírito  reajustado, minha mente normalizada e meus pensamentos corrigidos. E  compreendi os horrores que cometi.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><strong><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
Que tristeza <strong style="color: black; background-color: #ffff66;">DEUS</strong>! Por trezentos anos permaneci em preparo para reencarnação <span style="text-decoration: underline;">e pedia a graça de receber para desencarne o mesmo destino dado por mim a outros</span></span></em></strong><em><span style="font-family: Verdana;">.</span></em></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;">No ano do Senhor de 2001, após busca incessante por quem me recebesse como filho, um casal tiranizado por mim aceitou.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;">Reencarnei.<br />
</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;">Agora em comoção generalizada, como irmão Joãozinho, desencarnei <strong><span style="text-decoration: underline;">e agradeço ao Pai ter me atendido dando destino igual ao que dei às minhas vítimas</span></strong>. Estou em paz, estou na luz. Resgatei um pouco do meu passado, outros momentos virão. Confio em <strong style="color: black; background-color: #ffff66;">Deus</strong>.</span></em></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;"><br />
Titus Aelius.&#8217;</span></em></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><em><span style="font-family: Verdana;">Mensagem  psicografada de João Hélio no Centro Espírita Leon Dennis, que ele  freqüentava com os pais. Lembremos sempre, que nada é por acaso.”</span></em></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">- &#8211; -</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Captarão a crueldade dessa suposta carta?<br />
</span></span></span></span><br />
<span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Pesquisei  na internet e percebi que o médium que criou a carta, hoje sofre  críticas da própria comunidade espírita. A carta contém erros grosseiros  de ordem cronológica. Erros, que na verdade não fazem diferença &#8211; por  mais delirante que seja. Por mais que o médium tivesse criado uma carta  muito bem escrita e situada no tempo. O fato desse médium, se prestar a  acreditar em  um <strong style="color: black; background-color: #ffff66;">Deus</strong>, ou seja la o que for, que governa esse Universo, com tamanha crueldade e mesquinharia. Já é de ficar estarrecido. </span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Os  críticos espíritas da carta, no máximo conseguem alegar que o médium  agiu com boa intenção e que apenas fez associações erradas em sua  “psicografia” – teve interferências, confundiu historias do mundo real  com o de outras dimensões. Em nenhum momento eles questionam a  mediocridade das leis Kardecista.</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Segundo  os Kardecistas, somos em grande parte pecadores, as almas são contadas,  existe um sistema de &#8220;giro de almas&#8221; e estamos todos nesse mundo para  aprender, principamente através do sofrimento, ferramenta fundamental  para saldar nossas dividas de outras vidas e assim evoluir. Imaginem a  mãe de João Helio recebendo essa carta. Imaginem que a carta foi escrita  para amenizar o sofrimento da mãe. Agora se perguntem, que mãe, que viu  todo o fato macabro acontecer, ficaria feliz em receber essa  demonstração de <em>bondade</em> do médium?</span></span></span></span><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"></span></span></h2>
<div>
<h2><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-family: Verdana;">Não  vou me estender mais do que isso. Queria apenas compartilhar uma  observação e meu desprezo por essa corrente de pensamento que distorce  totalmente as noções de “justiça”, “consolo” e “evolução”&#8230; </span></span></span></span></h2>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/09/o-deus-vingativo-de-kardec/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O lado negro da Apple</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/07/o-lado-negro-da-apple/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/07/o-lado-negro-da-apple/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 19:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=782</guid>
		<description><![CDATA[Como a empresa  usou um discurso em defesa da liberdade e da criatividade para vender  seus produtos e se tornar a maior companhia do mundo em tecnologia. E  como esse mesmo discurso rebelde mascara uma política autoritária e  baseada na censura.

Guilherme Rosa
Crédito: Fábio Dias
Revista Glilleu


O último 26 de maio foi dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;">Como a empresa  usou um discurso em defesa da liberdade e da criatividade para vender  seus produtos e se tornar a maior companhia do mundo em tecnologia. E  como esse mesmo discurso rebelde mascara uma política autoritária e  baseada na censura.<br />
<span style="font-size: xx-small;"><strong><br />
Guilherme Rosa<br />
Crédito: Fábio Dias<br />
Revista Glilleu<br />
</strong></span><br />
<img class="aligncenter" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,42430523,00.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p>O último 26 de maio foi dia de festa no Vale do Silício. A Apple havia  acabado de se tornar a maior companhia de tecnologia do mundo,  desbancando a Microsoft do primeiro lugar. A empresa dirigida por Steve  Jobs terminou o dia valendo US$ 222,07 bilhões no mercado de ações dos  EUA. No mesmo dia, do outro lado do mundo, um chinês de 23 anos de idade  se jogava do sétimo andar de um dormitório em Shenzhen, na China. Era o  décimo empregado da fábrica Hon Hai a cometer suicídio em 2010, o que  chamou a atenção da imprensa mundial para as condições de trabalho na  empresa. Grande parte dos produtos que permitiram o sucesso da Apple,  entre eles o iPod, o iPhone e o iPad, são confeccionados pelas mãos  desses mesmos funcionários que estão se matando na China.</p>
<p>“Embora todo suicídio seja trágico, a taxa de suicídio na fábrica é bem  menor do que a média na China”, disse Steve Jobs, depois de ter  declarado que a Apple estava investigando o caso. Por fim, a Hon Hai  anunciou que iria aumentar o salário dos empregados em 66%.</p>
<p>Essa história é um exemplo extremo do que pode ser descrito como o  paradoxo da Apple. Ao mesmo tempo em que se gaba de pagar bem e  respeitar seus funcionários, a empresa ignora maus-tratos do outro lado  do mundo. A mesma companhia que já foi símbolo de inconformismo e  criatividade andou aparecendo no noticiário depois de censurar conteúdos  e ameaçar jornalistas. O discurso da liberdade proferido por Jobs  convive com uma prática autoritária e moralista. É um paradoxo que  começou a tomar forma lá na década de 70, passou a ficar claro nos anos  mais recentes e pode ajudar a explicar o incrível sucesso dos produtos  da Apple.</p>
<p><span style="font-size: small;"><strong>Os bons tempos<span style="font-size: x-small;"></p>
<p></span></strong></span>Stephen Wozniak sempre gostou de pegadinhas. O ano era  1971 e ele tinha acabado de entrar na faculdade. Sob o olhar atento dos  amigos, Wozniak estava no meio de uma ligação para o Vaticano: “Eu  estou ligando a pedido do presidente Nixon. Você pode chamar o Papa?” A  brincadeira falhou, o Papa não foi chamado, mas Wozniak conseguiu  demonstrar para seus colegas como sua caixinha azul funcionava. O  apetrecho conseguia burlar as falhas nas redes de telefonia e fazer  ligações de graça para qualquer lugar do mundo.</p>
<p>Foi seu amigo de infância, Steve Jobs, quem viu na invenção uma  oportunidade de negócios e propôs uma parceria. Era uma dupla inusitada.  Wozniak era um nerd fissurado por eletrônica, que projetava  computadores desde pequeno, enquanto Jobs se interessava mais pela  filosofia oriental, o budismo e o autoconhecimento. Ele já havia viajado  até a Índia em busca de gurus, experimentado drogas como<strong> LSD</strong> e  adotado uma dieta vegetariana. E aqueles dois cabeludos, vendendo  caixinhas ilegais, foram o embrião do que viria a se tornar a Apple.</p>
<p>A Apple nasceu no espírito livre dos anos 70. Tratava-se de uma  companhia ousada, que defendia uma filosofia nova — a dos computadores  pessoais. “Eles queriam enfrentar a IBM, que representava o poder  centralizado e monopolista. Queriam trazer o poder para os  consumidores”, diz Michael Swayne, autor do livro Fire in The Valley  (inédito no Brasil).</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,42430599,00.jpg" alt="" width="600" height="400" /><br />
A era da inocência: Em abril de 1984, os jovens Steve Jobs (esq.) e  Steve Wozniak (dir.), co-fundadores da Apple, ao lado do então  presidente da empresa, John Sculley, revelam o Apple IIc<br />
Crédito:AP</span></span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;">A partir dessa intuição inicial, a empresa cresceu, se profissionalizou,  contratou centenas de funcionários e produziu uma grande quantidade de  computadores (veja linha do tempo abaixo). Em 1984, Jobs liderou o  desenvolvimento do Macintosh, o primeiro computador pessoal a trazer um  mouse e uma interface gráfica. Para o lançamento do computador, a Apple  produziu uma propaganda que se tornaria histórica. Dirigida por Ridley  Scott, ela era baseada no livro 1984, de George Orwell, e mostrava um  mundo onde a população era oprimida por um grande ditador. Uma mulher  representando o Macintosh era perseguida pela polícia, mas conseguia  escapar e derrotar o opressor.</span></span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;">“A publicidade mostrava que a IBM usava tecnologia para escravizar as  pessoas, enquanto o Mac era a tecnologia para sua libertação. O que  diferenciava as empresas era a dedicação de fazer computadores para  indivíduos, e não para corporações”, diz o jornalista Leander Kahney,  autor do livro A Cabeça de Steve Jobs. Quem diria que, 15 anos depois,  os desafetos da Apple é que seriam perseguidos pela polícia?<span style="font-size: small;"><strong></strong></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;"><span style="font-size: small;"><strong>A mudança</strong></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: black;">No último dia 18 de março, Gray Powell resolveu  comemorar seu aniversário de 27 anos num tranquilo restaurante na  Califórnia. O engenheiro de softwares da Apple bebeu algumas cervejas,  confraternizou com os amigos e voltou para sua casa. No dia seguinte, se  deu conta da grande besteira: ele havia esquecido no restaurante um  protótipo do novo iPhone 4, um verdadeiro segredo industrial.</p>
<p>Alguns dias depois, fotos e uma grande análise do novo gadget foram  publicadas pelo site americano especializado em tecnologia Gizmodo. Eles  compraram o protótipo do iPhone das mãos de quem o encontrou por US$ 5  mil. Quando a Apple finalmente admitiu que o produto era real, o editor  do site, Jason Chen, devolveu o telefone à empresa.</p>
<p><span style="font-size: small;"><strong>REPRESSÃO DA MAÇÃ:<span style="font-size: x-small;"></p>
<p></span></strong></span>1. Editor do site americano Gizmodo, Jason Chen, teve a  casa invadida pela polícia a pedido da Apple. 2. A revista  Dazed&amp;Confused precisou apagar os mamilos da Madonna para ir ao  iPad. 3. O cartum ganhador do Pulitzer, censurado e depois liberado. 4 e  5. Mais desenhos censurados</p>
<p>Parecia o fim do caso, mas no dia 23 de abril uma equipe de policiais da  Califórnia invadiu a casa de Jason e levou quatro computadores e dois  servidores. A Apple havia prestado uma queixa de que o protótipo fora  roubado. “É muito triste ver a Apple ter tanta influência na polícia a  ponto de um jornalista ter a casa invadida”, diz Ryan Tate, do site  Gawker, da mesma empresa do Gizmodo.</p>
<p>Esse modo de lidar com a imprensa e com os novos produtos não é nenhuma  novidade na Apple. Grande parte da expectativa que cerca os lançamentos  da empresa se deve justamente à sua capacidade de mantê-los em segredo. O  sigilo é tão grande que pouquíssimos funcionários têm acesso ao produto  inteiro antes de sua chegada ao mercado. Wozniak contou à Galileu que  até mesmo o engenheiro que lhe mostrou o iPad antes da hora foi  sumariamente demitido.</p>
<p><span style="font-size: small;"><strong>O paradoxo<span style="font-size: x-small;"></p>
<p></span></strong></span>Wozniak se desligou da Apple em 1987, quando se cansou  de trabalhar em uma empresa tão grande e cuidar de assuntos  burocráticos — queria voltar a ser um simples engenheiro. Jobs, ao  contrário, vestiu a camisa da Apple desde o começo, sempre buscou cargos  de liderança e preocupava-se em incutir na equipe uma “ideologia”  própria. Tanto que ele só se desligou da empresa quando foi forçado, em  1985, por executivos que ele mesmo havia contratado.</p>
<p>“Jobs fez a Apple ser diferente de todas as outras companhias daqueles  anos, que hoje já estão esquecidas. Ele tinha uma paixão e uma  intensidade como ninguém mais tinha. Queria fazer coisas importantes e  não deixava ninguém ficar em seu caminho”, diz Swayne. Prova disso é que  a companhia quase faliu nos anos em que ele esteve fora. Neste meio  tempo, Jobs fundou uma empresa chamada NeXT, que nunca decolou de  verdade, e comprou, por US$ 5 milhões, uma pequena produtora de efeitos  especiais chamada Pixar, então uma divisão da Industrial Light &amp;  Magic. Hoje, a Pixar pertence à Disney e acumula mais de US$ 5 bilhões  em bilheterias e vários prêmios de melhor animação, inclusive o Oscar.  Com o toque de Midas intacto, Jobs foi recontratado em 1996 e em questão  de meses se tornou o presidente da Apple.</p>
<p>Apesar de sua inegável genialidade, Jobs é tido por seus biógrafos como  um chefe intransigente. Seu estilo de liderança valorizava o castigo, os  gritos e os xingamentos. Em seu livro A Cabeça de Steve Jobs, o  jornalista Leander Kahney relata que acessos de fúria e demissões  sumárias fazem parte do dia a dia da Apple. Ele diz: “Assim como Jobs é  extremamente exigente com seus subordinados diretos, os gerentes de  médio escalão exigem o mesmo nível de desempenho do seu pessoal. O  resultado é um reinado de terror”.</p>
<p>Após seu regresso, a empresa bancou uma campanha de marketing com o  slogan “Pense Diferente”, mostrando artistas e personalidades que  mudaram o mundo com sua rebeldia. A propaganda veiculada na TV mesclava  imagens de personalidades do século 20, como Gandhi e Picasso, amantes  da liberdade e da criatividade, aos produtos da Apple. Foi o começo da  consolidação da imagem da companhia como mais que uma fabricante de  computadores e sim uma criadora de tendências. Com o lançamento do iPod,  em 2001, a companhia saiu do buraco de vez. E ninguém mais pôde pensar  diferente.</p>
<p><span style="font-size: small;"><strong>A reação<span style="font-size: x-small;"></p>
<p></span></strong></span>O lançamento do iPad no começo deste ano coroou uma  bem-sucedida linha de produtos. O próprio iPod já havia vendido mais de  260 milhões de unidades, o iPhone passou da casa dos 5 milhões e o iPad,  em apenas dois meses, alcançou a marca de 2 milhões de unidades  comercializadas. O prognóstico de vendas do iPhone 4, lançado no último  dia 7 de junho, é de 24 milhões de aparelhos até o final do ano. Mas, na  opinião de especialistas, esses produtos representam um retrocesso para  aqueles interessados em produzir conteúdos. “Eles lidam com o  desenvolvimento de aplicativos para iPhone e iPad de modo ditatorial e  autoritário. O processo pelo qual um aplicativo é aprovado é  extremamente fechado”, diz Ryan Tate, do Gawker.</p>
<p>Uma nova regra estipulou que todo aplicativo, para ser aceito, deveria  ser desenvolvido numa das linguagens de programação adotadas pela Apple.  Isso impede que programas desenvolvidos para outros smartphones possam  ser adaptados para o iPhone, ou seja, todo software tem que ser pensado  para rodar exclusivamente na máquina da Apple.</p>
<p>Não parou por aí. A empresa começou a banir aplicativos não só por causa  da linguagem, mas também por seu conteúdo. Em fevereiro, a Apple tirou  de sua loja virtual, a App Store, mais de 5 mil aplicativos, alegando  que eles traziam conteúdo pornográfico. Depois disso, as versões  digitais de inúmeras revistas comercializadas por meio do aplicativo  Zinio, uma espécie de banquinha virtual, passaram a ser censuradas, como  a Maxim, a Vogue e a Playboy. A Dazed&amp;Confused foi obrigada a  apagar os mamilos da Madonna para que a revista fosse aprovada pelos  censores da Apple. Ryan Tate conseguiu trocar alguns e-mails com Steve  Jobs sobre o assunto: “Ele defendeu muito enfaticamente a censura e a  restrição de conteúdos. Ele foi moralista, e falou em proteger o mundo  contra aplicativos ruins e a pornografia”.</p>
<p>Qual é o problema nisso, afinal toda empresa tem o direito de decidir o  que pode ser vendido em sua loja, não é? O problema é que o aplicativo  censurado na App Store fica sem alternativas para chegar aos iPhones e  iPads dos usuários. Na prática, os funcionários de Jobs é que escolhem o  que você pode ou não consumir, abrindo precedentes perigosos que podem  rapidamente se transformar em censura.</p>
<p>Os temores foram confirmados quando a Apple resolveu banir de sua loja  desenhos de três cartunistas americanos. Um dos censurados foi Mark  Fiore, premiado dias antes com o Pulitzer, o maior prêmio de jornalismo  dos EUA, de melhor cartum editorial. A pressão foi grande e Fiore voltou  à App Store, mas os desenhos de Daryl Cagle, que publica seus cartuns  no site MSNBC, continuam vetados. Ryan questiona os limites da censura  na Apple: “O cartum é a forma mais pura da liberdade de expressão. A  Apple não quer que ridicularizemos pessoas famosas”. Uma ditadura não  faria melhor.</p>
<p>Ridicularizar pessoas famosas, aliás, é o trabalho do comediante Jon  Stewart, apresentador do programa Daily Show. E Jobs foi uma de suas  vítimas: “Apple, vocês eram os rebeldes, os oprimidos. Nós acreditávamos  em vocês. Lembra de 1984, daqueles comerciais incríveis sobre superar o  Grande Irmão? Olhem-se no espelho! Não era para ser assim, era para os  caras da Microsoft serem os bandidos”. O programa de televisão de Jon  Stewart é bastante influente entre os intelectuais e liberais americanos  (Obama foi entrevistado por Stewart diversas vezes). Isso pode dar uma  ideia de como a imagem da empresa — e de Jobs — está se deteriorando.</p>
<p>A reação de Stewart é um indício de que até os fãs da maçã estão caindo  na real: apesar do belo discurso, a Apple não é muito diferente de todas  as outras grandes empresas americanas. “Hoje ela se parece muito com a  Microsoft”, diz Michael Swayne. “Tem poder e o usa sem misericórdia,  processando clientes e destruindo outros negócios. A arrogância é a  mesma.” Bem ao gosto orientalista de Jobs, a história da Apple parece  seguir na base do Yin e Yang. A liderança arrogante, insensível e  autoritária, consegue tirar o máximo de criatividade e dedicação de seus  funcionários. O perfeccionismo exacerbado e o sigilo absoluto convivem  com os melhores e mais bem desenhados produtos eletrônicos. O  exclusivismo egoísta ajudou a companhia a proporcionar a seus clientes  experiências únicas. Os atuais excessos só chamam a atenção para algo  que sempre existiu. O lado claro da Apple, com produtos geniais como o  Mac e o iPod, sempre dependeu do lado negro para existir.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,42431022,00.jpg" alt="" width="600" height="700" /></p>
<p>&#8220;Acionar a polícia para invadir a casa de Jason Chen foi desnecessário.  Acho que a divulgação do novo iPhone foi um caso muito pequeno. Mas a  Apple demitiu até mesmo o engenheiro que me mostrou o iPad antes do  lançamento&#8230;&#8221;<br />
Crédito: Uli Heckmann/Corbis Outline</p>
<p>O bonachão Stephen Gary Wozniak, 59 anos, mais conhecido como Steve,  fundou a Apple junto do outro Steve, o Jobs, em 1976. Os dois  transformaram a Apple em sinônimo de computadores pessoais amigáveis,  bonitos e fáceis de usar. Em 1987, já multimilionário, entediado e  cansado de lidar com assuntos burocráticos, ele resolveu seguir outros  caminhos e saiu da companhia (embora até hoje receba salário da Apple).  Apesar de ainda manter amizade com Jobs, Woz critica a atual política da  empresa, e chegou a aparecer em fotos com uma camiseta ironizando o  vazamento do protótipo do iPhone. Em entrevista à Galileu, diz o que  pensa sobre a empresa que ele ajudou a criar.<br />
<strong><br />
*A Apple tem a fama de ter surgido da contracultura. É verdade?</strong><br />
STEPHEN WOZNIAK: Começar a companhia não foi uma ideia contracultural.  Eu tinha desenvolvido um produto muito bom, o Apple II, que podia nos  dar dinheiro. Começamos sem grana nenhuma, fazíamos as coisas de modo  diferente e não seguíamos as regras impostas &#8211; nem sabíamos quais eram a  regras. Além disso, Jobs precisou bolar motivos para as pessoas  comprarem nossos produtos. Tivemos que nos colocar como diferentes,  desafiar o modo como as coisas eram feitas. Defendíamos que os  computadores não tinham que ser grandes, lançamos a incrível ideia do  computador pessoal. Por acidente, acabamos entrando no holofote  contracultural.</p>
<p><strong>* Você consegue se ver nos produtos Apple?</strong><br />
WOZ: Eu estava muito próximo da situação, não sei dizer. Mas muitas das  pessoas que me conhecem muito bem veem essa relação. O que é bom, porque  eu amo os produtos da Apple. São tudo que busco em tecnologia: menores,  mais leves, mais rápidos e bonitos.<strong></p>
<p>* Se é assim, por que você largou a Apple?</strong><br />
WOZ: No começo da Apple eu era essencial. Não havia nenhum outro  engenheiro na companhia. Depois, nós contratamos centenas de  engenheiros, e eu não era mais essencial. Nessa mesma época [em 1981],  eu tive um acidente de avião [derrubou seu avião particular, que ele  mesmo pilotava, na decolagem, no aeroporto de Santa Cruz, na  Califórnia]. Fiquei internado, tive amnésia durante cinco semanas.  Quando saí do hospital, liguei pro Jobs e falei que aquela era minha  única chance de me formar na faculdade. Foi uma escolha pessoal, acabei  indo estudar em Berkeley. Alguns anos depois, eu acabei voltando para a  Apple. Mas aí eu estava cuidando da burocracia, viajando, participando  de grupos de discussões. Resolvi largar a Apple para começar outra  empresa, o que é a coisa mais divertida do mundo. Ali, construímos o  primeiro controle remoto universal.<br />
<strong><br />
* Como você vê o fato da Apple ter se tornado a maior companhia de tecnologia do mundo?</strong><br />
WOZ: Para mim, foi um sucesso muito inesperado. No entanto, Jobs sempre teve a intenção de ter uma empresa muito grande.<br />
<strong><br />
* E o que você pensa sobre a censura de conteúdo em alguns aplicativos?</strong><br />
WOZ: Quem abre uma loja de livros pode decidir não vender todos os  livros que querem estar em sua loja. O maior bem da Apple é sua marca. E  ela não quer misturar sua marca com certos tipos de softwares. Além  disso, o iPhone e o iPad costumam ser somente o computador secundário  das pessoas. A grande maioria tem um computador de verdade em casa.  Falam que a Apple é contra a liberdade e tenta controlar o que vemos.  Pode ser verdade, mas é só um lado da história. Ela quer que as pessoas  tenham acesso a esse tipo de coisa, só não quer ser parte disso.</p>
<p><strong>* E mesmo assim você apoia os iPhones hackeados?</strong><br />
WOZ: Não acho que isso faça muita diferença, que liberte as pessoas das  garras da Apple ou que transforme o telefone em um mundo livre. Mas acho  importante que alguém faça isso. Os produtos da Apple são os melhores,  mas existem aqueles que querem ir além. Querem que eles sejam totalmente  abertos e que qualquer um faça o que quiser com eles. Eu acho muito bom  ver isso acontecendo. Se alguém quiser criar uma linguagem de  programação para o iPhone, eu não vejo como uma coisa ruim para a Apple.  As pessoas que possuem o conhecimento técnico, como eu possuía quando  era pequeno, vão ter algo diferente para fazer e mostrar aos outros.</p>
<p><strong>* E essa história da invasão da casa do Jason Chen [editor do site  Gizmodo americano], ela seria possível na Apple de 25 anos atrás?</strong><br />
WOZ: Não seria possível nem mesmo há cinco anos. A atitude foi  desnecessária. Acho que a divulgação do novo iPhone foi um caso muito  pequeno, não machucou a Apple. Mas a Apple demitiu até mesmo o  engenheiro que me mostrou o iPad antes do lançamento&#8230; Eu estou  marcando de almoçar com ele, pra bater um papo, ver o que ele está  fazendo da vida.</p>
<p><strong>* Com o que você está trabalhando agora?<br />
</strong>WOZ: Estou numa companhia chamada Fuision-io. Estamos construindo o  melhor e mais rápido sistema de armazenamento para servidores no mundo.  Em dois anos, esse tipo de sistema vai estar em todos os servidores do  planeta. Eu me surpreendi quando eles me chamaram, porque nenhuma  companhia tinha feito isso antes. E eles ficaram mais surpresos ainda  quando eu disse sim.<br />
<strong><br />
* Qual você acha que vai ser o futuro da computação? Onde podemos achar a  mesma energia criativa que tínhamos nos primeiros anos da Apple?</strong><br />
WOZ: A energia criativa não desapareceu, olhe para o tanto de gente que  cria seus próprios vídeos no YouTube. Não dá mais para fazer o que eu  fiz: juntar uns chips e construir um novo produto. É muito difícil vir  com alguma coisa nova daí, há muito dinheiro envolvido. Mas olhe para  essas novas ideias como o MySpace, Facebook e Twitter. Elas vêm de  pessoas novas, que fazem um trabalho em que acreditam e que conseguem  enxergar nele algum valor.<br />
</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/07/o-lado-negro-da-apple/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Quando eu partir &#8230;</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/07/quando-eu-partir/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/07/quando-eu-partir/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 16:25:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Pense nisso!]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Cicuta]]></category>
		<category><![CDATA[Sátira]]></category>
		<category><![CDATA[T(E) = Art]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[auto-extinção]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=775</guid>
		<description><![CDATA[ 

Todos vão morrer! Isso é um fato. Porém quantas pessoas se preparam para tal, ao invés de deixar esse acontecimento inevitável nas mãos de outras pessoas? Preparar sua própria morte pode ser o único ato que permite que uma vida digna possa terminar de uma forma digna. Para mim, a pior desgraça que pode [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-780" title="porta" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/porta.jpg" alt="porta" width="573" height="400" /></p>
<p>Todos vão morrer! Isso é um fato. Porém quantas pessoas se preparam para tal, ao invés de deixar esse acontecimento inevitável nas mãos de outras pessoas? Preparar sua própria morte pode ser o único ato que permite que uma vida digna possa terminar de uma forma digna. Para mim, a pior desgraça que pode me acontecer, é morrer sem intenção. E assim fui&#8230;</p>
<p>Escolhi um cemitério como se escolhesse uma roupa especial para sair à noite. Caminhei por entre túmulos e esculturas fascinantes &#8211; pelo silêncio de vidas breves e frágeis -. Pesquisei preços, caixões, mortalha e por fim desisti de tudo isso &#8211; tenho pavor de flores em caixão, acho muito fedorento. Aquele cheiro acompanha quem vai ao velório para o resto de suas vidas. Tenho pavor também de me visualizar ali, naquela posição horizontal, preso enquanto pessoas lamentam e choram ao meu redor. Não queria essa ultima tortura. Então desisti de tudo. Optei por ser cremado e minhas cinzas jogadas ao mar, em um ritual alegre, se possível, com música das mais animadas -. De inicio achei o mar uma opção bem clichê. Porém no mar, minhas cinzas ficariam em constante movimento, o que de forma poética, imprimia uma mensagem otimista, que somada à imensidão dos oceanos, poderia trazer conforto aos que ficariam em vida.</p>
<p>Ai pensei &#8211; ora, no mar, não terei um templo onde as pessoas possam ir ate lá colocar flores ou falar sozinhas acreditando estar falando comigo -. Então, negociei um pequeno espaço em um cemitério horizontal, daqueles que parecem um jardim. Ali não ficará meu corpo ou minhas cinzas. Ali será enterrada uma urna com as folhas do meu diário. Com um punhado de sentimentos que nunca foram ou serão compartilhados. Assim as pessoas que forem até ali, poderão enterrar junto aos meus sentimentos, os seus. E compartilharemos segredos sempre que necessário.</p>
<p>O próximo passo foi orçar isso tudo e guardar o dinheiro em um lugar seguro. Ai vem à parte difícil; escrever uma carta de despedida. Como escrever uma carta de despedida se nem sei quando irei morrer. Pode ser agora ou daqui a anos e anos. Daí comecei a ficar preocupado. Ainda mais agora, que estão criando um monte de técnicas para fazer com que o Ser Humano viva cada vez mais e mais. Surgiu uma preocupação nova, mas que sempre esteve comigo; como irei morrer?</p>
<p>Algumas hipóteses foram pensadas. Posso me esforçar para fincar raízes na sociedade. Estudar até não agüentar mais, arrumar um emprego que me de estabilidade. Usufruir do entorpecimento consumista. Pagar anos de planos de saúde e de aposentadoria. Construir uma carreira de sucesso, me apaixonar, casar e ter filhos. Criar meus filhos, os ver crescer, passar todos os perrengues e felicidades dessa opção familiar e em algum momento, morrer. Seja de velhice, ou algum problema pulmonar, do coração, tumor, câncer, algo que pare de funcionar e por fim termine com a minha vida. Poderia também morrer de acidente, atropelamento, uma bala perdida ou batida de carro, ônibus. Não sei. Algo assim. Todas essas hipóteses me assustam pelo seguinte; vai acontecer em um dia ensolarado, que terei acordado cheio de energia, querendo viver intensamente e de repente, serei pego de surpresa e antes que eu possa fazer algo, estarei morto. Não quero isso. Essa hipótese esta descartada. E foi nesse momento que fui dando ouvido a pensamentos ocultos, mas que também sempre estiveram em algum lugar na minha cabeça; a auto-extinção.</p>
<p>A auto-extinção consiste em preparar sua morte, incluindo planejar a morte pelas suas próprias mãos. Essa modalidade fatal é comumente tratada como suicídio. Que vale lembrar: é crime. Porém sempre gostei dos suicidas. Apesar da maciça corrente de especialistas e autoridades legais se esforçarem para deslegitimar, condenar e criminalizar o suicídio. Vejo o ato como um dos atos mais honestos do sujeito racional.</p>
<p>Nas sociedades antigas, o suicídio era legítimo, como na Grécia e em Roma. O Humano que não estava interessado em viver, procurava o Estado para expor as suas razões e o Senado dava a autorização para a sua extinção, bem como oferecia os meios técnicos para a finalidade letal. Com a instalação do cristianismo, a sociedade passou a exercitar um grau de maldade nunca antes experimentado. O Humano é obrigado a viver, um auto- aniquilamento lento e revestido de ocultismo. O suicida passa a ser tratado como um doente ou algo totalmente macabro. Viver é digno. A morte, não.</p>
<p>Pensei então. Farei da minha morte o ultimo ato de rebeldia e dignidade. A morte como arte. Não daquelas que pode ser comprada em leilões, galerias de arte ou apreciada em museus por um monte de gente estranha que jura entender o artista. Quero uma arte, que tenha apenas o meu Ser como público; apreciador e autor. Até porquê, ter a sensação de que você pode se excluir de tudo, se desligar a qualquer momento de todo o jogo, pode ser a única forma de se manter vivo.</p>
<p><em>Quando vier a primavera<br />
se eu já estiver morto,<br />
as flores florirão da mesma maneira<br />
e as árvores não serão menos verdes<br />
que na primavera passada.</em></p>
<p><em>Sinto uma alegria enorme<br />
ao pensar que a minha morte<br />
não tem importância nenhuma.</em></p>
<p><em>( Fernando Pessoa )</em></p>
<p>Por <strong>Roosevelt Soares</strong> &#8211; para quem programou se matar aos 16 anos e chegou até os 20. Para quem programou se matar aos 26 e vai passar dos 30&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/07/quando-eu-partir/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Hare Hype</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/07/hare-hype/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/07/hare-hype/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 14:02:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Sátira]]></category>
		<category><![CDATA[Hare Hype]]></category>
		<category><![CDATA[plurall]]></category>
		<category><![CDATA[Roosevelt Soares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=769</guid>
		<description><![CDATA[
Carlos é analista de sistemas e passa a maior parte do seu dia ouvindo psy-trance enquanto sonha com dias melhores no meio “trancer”. Desde 2005, Carlos anda lamentando a excessiva comercialização das festas e sua conseqüente perca de conceito. Para Carlos, o trance é uma filosófia de vida, quase uma religião, guiada pelas visões adquiridas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://img42.imageshack.us/img42/5116/harehype.jpg" alt="" width="413" height="532" /></p>
<p>Carlos é analista de sistemas e passa a maior parte do seu dia ouvindo psy-trance enquanto sonha com dias melhores no meio <em>“trancer”</em>. Desde 2005, Carlos anda lamentando a excessiva comercialização das festas e sua conseqüente perca de conceito. Para Carlos, o trance é uma filosófia de vida, quase uma religião, guiada pelas visões adquiridas através de experiências de expansão da consciência. Uma moderna ferramenta de transcendência, de elevação espiritual e de materialização de uma nova percepção.</p>
<p>- Quando estou dançando, me entregando ao transe. Minha mente dissolve todas as barreiras que são criadas na vida cotidiana. Pois não existem barreiras. As ferramentas de dominação social que as cria e as instala em nossa mente. Somos condicionados a acreditar nisso e naquilo. E quando estou em transe. Eu visualizo meu eu primitivo. Meu universo interno se desagrega do externo. A energia flui. Meu corpo é meu espírito. E meu espírito fica livre para voar por todos os caminhos. Não há um guia. Não há placas. É um voou guiado por forças sagradas, que sempre estiveram comigo e que o caos materialista da vida cotidiana, me impede de acessar. E esse sentimento é mágico. É poderoso. – desabafa Carlos.</p>
<p>Já para Marina Lins. Estudante de psicologia e amante fervorosa do psychedelic trance. Tudo se resume em uma única palavra: diversão!</p>
<p>- Amo a cultura alternativa. As festas e festivais de Trance, pois sempre saio delas com minhas energias renovadas. Mas não tenho nenhum laço com elas, além da diversão. Não freqüento os espaços tido como culturais ou esotéricos. Que são importantes. Mas não me atraem. Quero só dançar e interagir com as pessoas do dancefloor. Elas sim me inspiram.</p>
<p>Apesar dessa fala de Marina. Ela já foi hippie, já dançou com índios na Amazônia. Ocasião em que pode participar do ritual do Daime (ayahuasca). Já largou sua vida na cidade e foi morar em uma ecovila no meio de Alto Paraíso &#8211; a meca brasileira dos viajantes místicos.</p>
<p>- Nessa época eu sonhava com um caminho alternativo. Onde a guerra diária pela sobrevivência, não tivesse que fazer com que o Ser humano, precisasse levantar todas as manhãs para se vender. Vender metade de sua vida, de seus sonhos. Por um punhado de moedas e com isso se virar para comer, beber, ter diversão, estudar, pagar as contas e materializar o que lhe foi permitido sonhar.</p>
<p>O Trance me vestiu perfeitamente. Tinha encontrado a minha família – diz Marina com um sorriso no rosto – Na verdade foi apenas uma fase de autoconhecimento. Foi ótimo enquanto durou – resume Marina sem perder o brilho de seus olhos.</p>
<p>Marina acredita que vivenciou um delírio de interpretação. E durante um <em>insight</em> percebeu que sua busca pela expansão da consciência, provocou exatamente o estreitamento da mesma. Um mecanismo que segundo ela, servia para manter o efeito de transe, já que negando a realidade, a única que sobrava, é a que o sujeito estava objetivando. Não havendo expansão, ou elevação. Segundo ela, é um erro vulgar e muito comum.</p>
<p>– Fui me condicionando a virar um símbolo, um estereótipo que fazia com que as pessoas que me observassem, soubessem mais de mim do que eu poderia supor. Foi quando comecei a me perguntar. Quem vive simbolicamente? Acho que as festas se tornam ingênuas de forma aproveitadora, quando começam a agir como se fossem a luz no fim do túnel e se tornam obcecadas pelo passado. Vivi no meio de pessoas que se julgavam melhores, que sabiam o que é melhor para o mundo. Mas a única resposta que eles foram capaz de dar ao mundo, era o isolamento e negação. Não acredito nisso. Sei onde ir, como fazer e o que não devo fazer. Na adolescência, passamos por uma fase de descoberta, de autodescobrimento e de afirmação de nossa personalidade. Antigamente tínhamos os roqueiros, pagodeiros, funkeiros e outros estilos, que são perfeitos para suprir a necessidade nessa fase da vida. Hoje temos também o Psy-Trance. O Ser Humano vive em  transformação. Acho natural ter festas, raves, que trabalhem essa demanda por afirmação da personalidade. A materialização dessas festas, dessa corrente de pensamento, é uma forma de a pessoa existir. E isso é legitimo. Mas de que me serve essas experiências, quando me nego a servir de molde?</p>
<p>Carlos afirma que sua vida mudou completamente com suas experiências psicodélicas ao som do Trance.</p>
<p>- Me tornei mais espiritualizado e inspirado. Consigo compreender melhor o mundo e aceitar ângulos que antes se não estivessem de acordo com a minha forma de pensar, eu não conseguiria aceitar. Me tornei mais “cabeça aberta”. Da paz mesmo. Freqüento as celebrações trancer, como parte de uma meditação coletiva poderosa de transformação. Não só minha. Mas do meio externo também. Através da arte, os estímulos perceptivos nos elevam a um nível alterado. Visualizamos as pontes que são encobertos pela nossa rotina diária. E estamos ali; dançando, interagindo, meditando e dissolvendo ao mesmo tempo todos os problemas.</p>
<p>Carlos e Marina são modelos da ruptura de paradigmas que estamos vivenciando com as festas Trance. Enquanto parte do publico foi atraída em busca de uma experiência transcendental e psicodélica, outros vieram somente em busca de uma aventura divertida. Nesse movimento, uma quase guerra santa ainda resiste, separando os inside dos outside, iniciados, e novatos. E isso se reflete no mercado, com produtores interessados em movimentar esse imaginário. Com festas conceito e festas comerciais. Na maioria dos casos, realizadas pelos mesmos produtores tanto de uma quando da outra. O bom de tudo isso, é que no final, todos dançam ao mesmo som. E um movimento completa o outro.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://img696.imageshack.us/img696/5268/orbweb.jpg" alt="" width="548" height="548" /></p>
<p>- Moro no centro de São Paulo. Tenho uma vida que depende do trabalho de outras pessoas, como do meu dependem outras. Depois de cada festa ou festival, eu volto para o meu apartamento. <em>E de la eu posso elevar meu espírito.</em> Mas é com meu corpo físico que eu sobrevivo. E tudo isso, de sociedade alternativa, de expansão da consciência forçada pela ingestão de um substancia&#8230; na pratica não ajudam. Não posso considerar como opção, uma pratica que só funcione para um grupo limitado de pessoas e de forma forçada. Não sou uma xamã. Uma Buda. Uma eremita. Vivo o mundo real. E fico chateada quando vejo, por exemplo, alguém usar um discurso religioso, místico, para se utilizar de uma substancia alteradora da percepção. Isso é falso. Ou você pratica essa religião, aquela realidade mística, ou então é apenas um pervertido cultural. Por que ao invés de contratar um palestrante que fale sobre religiões arcaicas e substancias alteradoras da percepção, não se juntam especialistas e publico para solucionar, por exemplo, o problema da falta de médicos em hospitais públicos. Do escoamento das águas das chuvas que é precário, pois o povo não sabe como cobrar pelo tratamento dos resíduos. Sabe&#8230; não é util. É uma cultura da fantasia.</p>
<p>Marina entrou em todo esse universo alternativo e transcendental, a procura de uma revolução. Hoje após muitas vivencias, prestes a se formar em psicologia e muito bem integrada ao meio urbano. Marina enxerga a mistura cultural que circula nas festas e festivais Trance, como uma ferramenta incapaz de sair do plano simbólico &#8211; No fim é tudo entretenimento – completa Marina.</p>
<p>Carlos já enxerga tudo com outros olhos. Ele não nega que gosta de ter um relacionamento metafísico com a Cultura Trance – Nós <em>somos a mudança que</em> nós procuramos – declara ele.</p>
<p>E você. Como se relaciona com toda essa mescla cultural?</p>
<p>Por <strong>Roosevelt Soares</strong>.</p>
<p>Diretamente da cova dos estupradores do amanhã.</p>
<p>Fonte: www.plurall.com</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/07/hare-hype/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mariposas em Fuga &#8211; O primeiro contato</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/06/mariposas-em-fuga-o-primeiro-contato/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/06/mariposas-em-fuga-o-primeiro-contato/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 14:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Inspirise]]></category>
		<category><![CDATA[Mariposas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=765</guid>
		<description><![CDATA[Fumava de madrugada no quarto a meia luz, enquanto bebia um vinho e tentava alinhar os ângulos indiferentes da cidade de Niterói por detrás de um vidro vingativo que só refletia semáforos e luzes de veículos com passageiros incógnitos. Entre um trago e um olhar vago, podia jurar que ouvia histórias sobre um tempo em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fumava de madrugada no quarto a meia luz, enquanto bebia um vinho e tentava alinhar os ângulos indiferentes da cidade de Niterói por detrás de um vidro vingativo que só refletia semáforos e luzes de veículos com passageiros incógnitos. Entre um trago e um olhar vago, podia jurar que ouvia histórias sobre um tempo em que meu espírito planava por mundos fantásticos.</p>
<p>Além de minha janela. As sombras vagavam solitárias. Formando trapezistas gigantes, que a cada virar de esquina; se encontravam sem nunca se tocar.</p>
<p>O silêncio de minha visão; agora interrompido pela agulha da vitrola percorrendo os últimos grooves de um disco de vinil; com melodias que um dia haviam me transportado por todos os becos do Universo, ao infinito de nuvens gelatinosas; daquelas que saboreamos quando nossa alma explode em luz furta-cor.</p>
<p>Ao longe. Um pássaro-maquina batia as asas com vigor; uma geringonça movida a coração humano. Que pulsava fazendo por alguns segundos o sulco do vinil, emitir batidas cardíacas de um grave tão estremecedor; que ao chão fui arremessado; como se uma bala de canhão feita de vento; acertasse-me de peito aberto.</p>
<p>Recolhido em posição fetal. Prestes a ser expelido do útero da grande mãe. Aquela sensação de pavor, brotou; como quando germinamos feijão em um maço de algodão.</p>
<p>Senti que estava prestes a renascer. E nada disso estava em meus planos. Logo me conscientizei que nunca nem se quer tive um. Foi ai que vi as mariposa. Deslumbrantes. Daquelas que flutuam em torno das luzes nas noites de verão. Tão arrebatadoras. Que por um momento me vi desafiado a entender seu enigma; possuidoras de uma beleza que não são capazes de enxergar; cegas. Atraem-se pelo cheiro. Morrem no auge de suas vidas; ou se matam em direção a luz.</p>
<p>Elas voavam. Serpenteavam meu abajur; como um tufão. Emergindo o quarto em noites de luzes estroboscopicas, que piscavam refletindo metade da utopia materializada no tempo das nebulosas de Nag Champa.</p>
<p>De um salto. Estava de pé em meio aquele rodopiar de luzes e restiços de memórias, sendo projetado nas paredes ao meu redor &#8211; estaria eu em uma maquina do tempo?</p>
<p>Não me pergunte como. Mas os semáforos, do vermelho; não ousaram sair. As mariposas, levitando, imóveis a minha frente; permaneceram.<br />
O mundo além do que podia ver, sentir ou relatar. Agora flutuava no tempo sem tempo. Descortinando um palco em que nenhum dos atores, eu conhecia &#8211; e confesso não estar interessado.</p>
<p>Coloquei-me a desenhar traços de humanidade em cada uma daquelas feições descomcertante. Desconectei todos os cabos – ate o cabo de energia do abajur, que não se apagou. E foi quando tudo ficou claro.</p>
<p>Aos comboios;</p>
<p>Dos Homens que sonhavam &#8230;</p>
<p>Aos Homens que vagavam &#8230;</p>
<p>Dos Homens, já cansados &#8230;</p>
<p>Despertamos a meia luz.<em> </em></p>
<p><em>- assassinaram a madrugada – </em>noticiava a primeira página dos jornalecos do futuro.</p>
<p>Como indigentes. Nossa historia ficará fora dos registros.<br />
Há essa hora, horas essas, que não registram nada, nem o tempo. Cambaleei com a pergunta fatídica;</p>
<p>Que diabos! <em>Onde está o meu mundo?</em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-766" title="mariposa-elpenor" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/06/mariposa-elpenor.jpg" alt="mariposa-elpenor" width="350" height="245" /></p>
<p><strong>Por Roosevelt Soares</strong></p>
<p>Inspirado no conto; Mariposas em Fuga (que ainda estou escrevendo &#8230; )</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/06/mariposas-em-fuga-o-primeiro-contato/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Doutor Caveirão e a maquina de matar do Estado</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/05/doutor-caveirao-e-a-maquina-de-matar-do-estado/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/05/doutor-caveirao-e-a-maquina-de-matar-do-estado/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 May 2010 15:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[antiapartheid]]></category>
		<category><![CDATA[apartheid]]></category>
		<category><![CDATA[bope]]></category>
		<category><![CDATA[caveirão]]></category>
		<category><![CDATA[Nelson Mandela]]></category>
		<category><![CDATA[upp]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=761</guid>
		<description><![CDATA[Em uma manha de terça-feira cinzenta do mês de maio. Tive a oportunidade de bater de frente com o caveirão. Um veículo blindado, de negror absoluto, com um intimidador símbolo de uma caveira com uma adaga encravada em sua cabeça e duas garruchas douradas cruzando a caveira. Garruchas, são aquelas armas antigas, que sem duvida você já pode observar nas mãos de piratas como Jack Sparrow. O negror daquele veículo, a blindagem, e o símbolo, não deixam duvida. A primeira impressão faz brotar imediatamente a mensagem: somos a maquina de matar do Estado do Rio de Janeiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img683.imageshack.us/img683/2690/logo1mo.jpg" alt="" width="249" height="248" /></p>
<p>Em uma manha de terça-feira cinzenta do mês de maio. Tive a oportunidade de bater de frente com o caveirão. Um veículo blindado, de negror absoluto, com um intimidador símbolo de uma caveira com uma adaga encravada em sua cabeça e duas garruchas douradas cruzando a caveira. Garruchas, são aquelas armas antigas, que sem duvida você já pode observar nas mãos de piratas como Jack Sparrow. O negror daquele veículo, a blindagem, e o símbolo, não deixam duvida. A primeira impressão faz brotar imediatamente a mensagem: <em>somos a maquina de matar do Estado do Rio de Janeiro.</em></p>
<p>Em 2006 iniciou-se um movimento para eliminar a utilização dos blindados e até mesmo mudar o brasão medonho que pertence ao Batalhão de Operações Policiais Especiais; o famoso Bope. No mesmo ano, participantes do seminário &#8220;A Polícia que Queremos&#8221;, pediram a mudança do símbolo por vários motivos. Alguns pediam o seu fim, alegando que ele desperta uma gama de sentimentos negativos na população. E os evangélicos, dotados de um simplismo enraizado, não foram além: o símbolo é &#8220;do mal&#8221;. Outros participantes consideraram esse tema de menor importância, por tratar-se &#8220;apenas de um símbolo&#8221;. Já os três policiais do Bope, presentes na sala colocaram-se firmemente contra a interferência, por diversas razões: <em>a simbologia seria internacionalmente utilizada e reconhecida por forças de segurança; ela representa a vitória sobre a morte, e não a morte; e é motivo de orgulho para os policiais deste batalhão.</em></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img534.imageshack.us/img534/6829/61240063eb2.jpg" alt="" width="573" height="549" /></p>
<p>De fato, é que o símbolo amedronta. E desde 2006 nada mudou.<br />
Nessa manhã cinzenta de maio de 2010; estar diante do aparato dos Policiais do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão de Choque, passando ao meu lado com três caveirões, seguindo para concluir a primeira fase da implantação da UPP (Unidade de Policia Pacificadora) de alguma comunidade pobre próxima. Além de fazer com que o clima ganhasse reforço nos tons de cinza, me conduziu a vários pensamentos.</p>
<p>Na rua, o comboio seguiu atraindo olhares. Com homens vestindo um manto negro, capuz cobrindo completamente seus rostos e pele. Pareciam se alimentar da felicidade dos observadores do comboio, sugando todas as lembranças felizes dos que ali estavam. No melhor estilo J. K Rowling ao descrever os dementadores de Azakaban em Harry Potter. O bonde sinistro seguia em silêncio, com carros menores do Bope acompanhados por aeronaves, blindadas, com policiais apontando a todo o momento para baixo, armas daquelas que só o Rambo parecia dominar com intimidade.</p>
<p>Fiquei realmente impressionado com o que senti. Foi muito diferente de ver na televisão, ler nos jornais e imaginar as incursões daqueles veículos e seu potencial elevado ao máximo quando o assunto é finalizar; destruir; pulverizar; indivíduos que por alguma razão estão quebrando o código de conduta de uma sociedade civil.</p>
<p>A minha frente, o emblema do modelo militarizado de segurança pública levou meus sentidos até as favelas. Colocou-me dentro de um daqueles casebres. Me fez temer que meus filhos brincassem fora de casa. Me fez temer que minha casa se situasse naquela região do Estado. Me fez temer que a população desse Estado investisse nesse aparato, sem questionar como ele estava sendo utilizado. Me fez temer que o Estado gastasse bilhões de reais pra comprar blindados, armas poderosas, e autorizar pessoas pra entrar no meu quintal e apontar toda aquela megalomania bélica em minha direção, quando seria desejável, uma forma mais humana de diálogo. Imaginei-me sentado a frente da tv. Dessa vez, fora das favelas. Onde os noticiários fazem o alvo de toda aquela força, mais letal do que disciplinadora ou administrativa, parecer tão cirúrgica e precisa. Mas logo voltei para o meu casebre na favela. E me vi como o câncer da sociedade; o nódulo; o tumor que deveria ser extraído a todo custo.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://img155.imageshack.us/img155/2594/19mvgriobope.jpg" alt="" width="360" height="460" /></p>
<p>Aqueles homens de manto negro com caveiras estampadas, durante uma operação no Morro do Andaraí, nessa ultima quarta-feira mataram o pai de família, Sr. Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, que estava no terraço de sua casa consertando uma porta de armário. E seu único delito fatal, foi estar utilizando uma furadeira. Tudo com precisão cirúrgica. Vale refletir.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://img180.imageshack.us/img180/3985/bopefuradeiraodiathumb1.jpg" alt="" width="649" height="302" /></p>
<p>Em 1948 na África do Sul os brancos detentores absolutos do poder. Obrigaram os negros a viver separados dos brancos, de acordo com regras que os impediam de ser verdadeiros cidadãos. A terra conferida aos negros era tipicamente muito pobre, impossibilitada de prover recursos à população forçada a ela. Onde raramente tinham saneamento, eletricidade ou o mínimo de condições de vida. A esse regime foi dado o nome de apartheid (vidas separadas). De 1948 aos tempos atuais, o apartheid Sul-africano mesmo condenado internacionalmente como injusto e racista. Ainda parece servir de inspiração para muitos povos.</p>
<div id="attachment_762" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><img class="size-full wp-image-762" title="20100501-047" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/20100501-047.JPG" alt="O caveirão sul-africano, hoje apenas faz parte do Museu do Apartheid em Joanesburgo" width="480" height="360" /><p class="wp-caption-text">O caveirão sul-africano, hoje apenas faz parte do Museu do Apartheid em Joanesburgo</p></div>
<p>Nosso caveirão, que teve sua estréia no regime segregacionista do apartheid, é apenas um dos símbolos de como temos uma grande vocação para se inspirar no que há de mais sombrio na humanidade. O medo generalizado e a militarização das problemáticas urbana vai sacrificando cada vez mais a justiça social e a liberdade em nome da “segurança”. Tudo celebrado com números e estatísticas, que fazem do assassinato do Sr. Hélio apenas um mal necessário para que possamos sediar copas do mundo, atrair mais e mais bochechas rosadas e para que o povo carioca possa dormir em paz.</p>
<p>- <strong><em>&#8220;A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo.&#8221; </em></strong><br />
Frase do principal representante do movimento antiapartheid; ativista, sabotador; guerrilheiro e terrorista para alguns&#8230; <em>Nelson Mandela.</em></p>
<p><strong>Por Roosevelt Soares.<br />
Diretamente do front; no bailar do caos!</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/05/doutor-caveirao-e-a-maquina-de-matar-do-estado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>População em delírio</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/05/populacao-em-delirio/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/05/populacao-em-delirio/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 May 2010 21:14:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[bad trip]]></category>
		<category><![CDATA[CIA]]></category>
		<category><![CDATA[LSD]]></category>
		<category><![CDATA[Pão Maldito]]></category>
		<category><![CDATA[Pont-Saint-Esprit]]></category>
		<category><![CDATA[População em delírio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=758</guid>
		<description><![CDATA[Em seu novo livro, A Terrible Mistake, ele diz que a CIA deliberadamente envenenou a comida dos cidadãos de Pont-Saint-Esprit com LSD. O surto coletivo teria feito parte de uma experiência ultras-secreta para descobrir os efeitos da droga em grandes populações. [...] A hipótese oficial, adotada pelas autoridades francesas, foi a de que os grãos foram acidentalmente contaminados por um fungicida à base de mercúrio. Segundo Steven, os sintomas não batiam, mas as investigações foram abruptamente encerradas porque a publicidade negativa estava fazendo mal para os negócios da cidade. O caso permanecia inconcluso e o mistério parecia ficar para a história, quando Albarelli resolveu misturar duas siglas na narrativa: a CIA e o LSD.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;Eu estou morto, minha cabeça é feita de cobre e as cobras em meu estômago estão me queimando&#8221;</strong></p>
<p>Ou a história de como a CIA teria provocado mortes e a maior bad trip da humanidade ao testar secretamente os efeitos do LSD em uma pequena cidade francesa<strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Por Guilherme Rosa</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,40215302,00.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p>O século XX não foi muito generoso com Pont-Saint-Esprit. Fundada por volta do ano 500, a pequena cidade passou pelos séculos sem grandes atribulações. Às margens do Rio Ródano, no sul da França, ela permanecia praticamente inalterada, com estilo de vida e construções que lembravam os tempos medievais. Aí veio a Segunda Guerra Mundial. A cidade foi ocupada pelos alemães, os cidadãos foram divididos entre colaboradores e resistência. No final dos combates, ela foi invadida pelos Estados Unidos, que destruíram algumas construções históricas, incluindo a ponte que lhe dá o nome. Ao final, Pont-Saint-Esprit era uma cidade dividida, com grandes ressentimentos e tensões. Então, no dia 16 de agosto de 1951, ela foi palco da maior bad trip da história do planeta.<strong></strong></p>
<p><strong>Um pão maldito</strong></p>
<p>De uma hora para outra, a loucura tomou conta da cidade. A população, em delírio, via demônios e fantasmas em todos os cantos. Pessoas se jogavam das janelas ou tentavam se afogar para escapar de cobras imaginárias.</p>
<p>Um menino de 11 anos tentou estrangular a <acronym>pr</acronym>ópria mãe. Nem os animais escaparam: em meio ao caos, um cão ficou por mais de uma hora uivando para o sol a pino na praça central. Ao todo, mais de 200 pessoas tiveram algum distúrbio, mais de 30 sofreram alucinações severas e quatro morreram.</p>
<p>Na época, a população culpou um padeiro da cidade, que teria vendido pão envenenado para os cidadãos. O caso ficou conhecido como “Le Pain Maudit” (O Pão Maldito). Os médicos foram rápidos em apontar ergotismo, uma doença transmitida por fungos encontrados nos grãos de trigo. Agora, quase 60 anos depois, o jornalista H. P. Albarelli Jr. lança uma hipótese que mistura teorias conspiratórias e psicodelia pura.</p>
<p style="text-align: left;">Em seu novo livro, A Terrible Mistake, ele diz que a CIA deliberadamente envenenou a comida dos cidadãos de Pont-Saint-Esprit com LSD. O surto coletivo teria feito parte de uma experiência ultras-secreta para descobrir os efeitos da droga em grandes populações.</p>
<p style="text-align: center;" align="center"><img class="aligncenter" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,40215317,00.jpg" alt="" width="600" height="400" />A PADARIA: não demorou para os médicos apontarem uma intoxicação no pão como vetor da loucura. O padeiro chegou a ser processado e teve de fechar a loja por alguns dias</p>
<p><strong>“Mamãe, os tigres vão nos fazer em pedaços”</strong></p>
<p>Realmente, grande parte dos sintomas são comparáveis a uma viagem de LSD e a situação em Pont-Saint-Esprit pode ser descrita como uma espécie de Woodstock sem música. Em vez de jovens hippies buscando abrir as portas da percepção, a cidade não estava lá muito preparada para abrir porta alguma, com sua população de camponeses supersticiosos e donas de casas religiosas em meio a delírios assustadores e inesperados.</p>
<p>Um dos locais, Gabriel Veladiere, teve de ser impedido por amigos de se jogar no Rio Ródano. Ele gritava em desespero: “Eu estou morto, minha cabeça é feita de cobre e as cobras em meu estômago estão me queimando”. Em outro canto da cidade, uma menina de cinco anos também foi afetada. “Mamãe, eu vou morrer. Os tigres vão nos fazer em pedaços”, dizia, com lágrimas caindo pelo rosto. Depois, apontando para o teto de seu quarto: “Tem sangue escorrendo dali. Você não consegue parar o sangue?”.</p>
<p>O hospital da cidade ficou superlotado, e mais de 70 casas tiveram de ser usadas como ambulatórios de emergência. Os enfermeiros tinham que se dividir entre os doentes reais e imaginários. Um homem implorava para o médico colocar seu coração no lugar, porque o órgão estava escapando pelo pé. Um outro sujeito achou que era um avião e pulou do terceiro andar. Ao cair no chão, correu por mais alguns quilômetros com as duas pernas quebradas.</p>
<p>Nem todos deliravam, alguns simplesmente sofriam de enjoos e ânsia de vômito. Durante dias, a cidade viveu uma estranha insônia, as pessoas se encontravam nas ruas de madrugada e engatavam em animadas conversas. Cheios de energia e com as pupilas dilatadas.</p>
<p>Segundo o historiador Steve Kaplan, especialista no caso do Pão Maldito, a cidade foi invadida por jornalistas do mundo todo. A notícia do surto psicodélico teve repercussão e marca a memória coletiva da França até hoje. Os primeiros boatos eram desencontrados. Poderia tanto ser um ataque químico dos comunistas, quanto uma punição divina para a devassidão terrena. Com o tempo as pessoas começaram a ligar as alucinações ao pão.</p>
<p>A hipótese do ergotismo não tardou a ganhar forças. Também conhecido como Fogo de Santo Antônio, a doença havia sido responsável por diversos surtos de histeria coletiva na Idade Média. “A ideia da ressurreição de um horror medieval era sedutora demais”, diz Steven Kaplan. Alguns sintomas vivenciados pela população são incrivelmente parecidos, como as alucinações e as perturbações intestinais. Na época, Guy Bruere e Miller Maillet, dois comerciantes de cidades vizinhas, chegaram a ser presos por fornecer os grãos contaminados.</p>
<p>Como as investigações começaram a apontar em outras direções, nenhum dos dois ficou preso por mais de dois meses. “Quando você assa um pão que contenha o fungo ergot, ele fica muito feio, preto. Além disso, todos os grãos fornecidos para uma região ficavam armazenados num único silo, é inconcebível que todos os grãos tóxicos tivessem acabado numa única padaria”, afirma Kaplan.</p>
<p>A hipótese oficial, adotada pelas autoridades francesas, foi a de que os grãos foram acidentalmente contaminados por um fungicida à base de mercúrio. Segundo Steven, os sintomas não batiam, mas as investigações foram abruptamente encerradas porque a publicidade negativa estava fazendo mal para os negócios da cidade. O caso permanecia inconcluso e o mistério parecia ficar para a história, quando Albarelli resolveu misturar duas siglas na narrativa: a CIA e o LSD.</p>
<p style="text-align: center;" align="center"><img class="aligncenter" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,40215326,00.jpg" alt="" width="600" height="400" />AS VÍTIMAS: o padeiro Maillet (à esq.) ficou preso por duas semanas, acusado de vender trigo envenenado. O bioquímico Frank Olson (à dir.) teria sido morto pela CIA por falar demais</p>
<p>Créditos: AFP e reprodução</p>
<p><strong>A morte explica</strong></p>
<p>O LSD foi acidentalmente descoberto pelo químico suíço Albert Hoffman em 1943. A CIA foi criada em 1947, para coletar informações relativas à segurança nacional americana. Durante todos os anos 50 e 60,  a agência estudou a droga como quem encara a arma definitiva. “Eles pensavam que o LSD tivesse o potencial de substituir as armas de fogo e bombas, que guerras poderiam ser travadas apenas com químicos alucinógenos”, diz Albarelli.</p>
<p>O jornalista deparou com a história de Pont-Saint-Esprit e do Pão Maldito quando investigava a morte do cientista bioquímico Frank Olson, tema de seu livro. Olson trabalhava para a CIA e foi encontrado morto no final de 1953, depois de presumidamente se jogar do 13º andar de um hotel.</p>
<p>A versão de que Frank teria se suicidado nunca convenceu a família — a janela estava fechada quando ele se atirou para a rua. Só em 1975, quando o governo americano abriu arquivos que eram mantidos em segredo, que as circunstâncias de sua morte começaram a ficar claras.</p>
<p>Olson trabalhava no Forte Detrick, em Maryland. O local era conhecido como o centro de pesquisa para ataques bioquímicos do governo. “Seu trabalho era pensar em modos novos e melhores de matar”, diz Albarelli. Ele estudava vários tipos de agentes biológicos e químicos.</p>
<p>Ali, ele atuava sob supervisão de um projeto da CIA chamado MKULTRA, que estudava quase todo tipo de droga, a fim de utilizá-las como soro da verdade, em missões de sabotagem ou para fins de controle mental. “O MKULTRA testou todas: LSD, mescalina, cogumelos, peyote, morfina, heroína.”</p>
<p>Mas, sem dúvida, a mais investigada de todas as substâncias foi o LSD. Segundo Albarelli, pelo menos 6 mil homens do exército americano serviram de cobaias para o projeto. “Mas se contarmos o total de afetados, incluindo civis e estrangeiros, foram mais de 10 mil cobaias, inclusive prisioneiros de guerra.”</p>
<p>O MKULTRA também testou a droga em civis. Às vezes, os experimentos eram voluntários, como os que aconteciam com viciados em drogas na Prisão Federal em Kentucky. “Os viciados em heroína não gostavam de tomar mescalina e LSD. Então, como forma de pagamento, eles ganhavam mais heroína do governo”, afirma o jornalista.</p>
<p>Um dos casos que mais repercutiu na opinião pública americana foi a Operação Clímax da Meia-Noite. Organizada por um agente chamado George Wight, a operação testava a droga em homens cooptados por prostitutas. Segundo uma matéria da revista TIME, de 1977: “De noite, mulheres atraíam os rapazes para esconderijos e lhes davam LSD ou maconha, enquanto outros homens olhavam através de um falso espelho e gravavam a cena [...] As mulheres, aparentemente prostitutas clandestinas, ganhavam US$ 100 por cada trabalho para a CIA”.</p>
<p>Grande parte dessas informações veio a público em 1975, quando uma investigação do Congresso tornou públicos os arquivos da operação MKULTRA. Ou o que restou deles. “Mais detalhes sobre esses casos são muito difíceis de descobrir, já que os documentos foram todos destruídos em 1973, por ordens do diretor da CIA. Foram queimadas 140 caixas. Sobraram somente umas vinte, em sua maioria com balanços financeiros”, diz Albarelli.</p>
<p>Com as novas informações, a família de Frank Olson tinha subsídio para cobrar por respostas mais aprofundadas do governo. Acontece que era comum os cientistas também testarem as drogas em si mesmos. O diretor do MKULTRA, Sidney Gottlieb, contou para Alabrelli que usou a droga mais de 40 vezes: “E ele gostou de cada uma delas, disse que se tornou uma pessoa melhor”, afirma o escritor.</p>
<p>Frank Olson nunca tinha participado desses experimentos, até que foi chamado para uma reunião com outros cientistas do projeto, nove dias antes de sua morte. No evento, quase todos os presentes foram drogados por uma dose de LSD que havia sido escondida numa garrafa de Cointreau. A versão oficial do caso mudou. Agora, Frank teria entrado em um estágio de extrema paranoia e depressão depois de ter sido drogado pelo governo. Ele teve de ser afastado de suas funções e estava em Nova  York para receber ajuda psiquiátrica, mas se matou durante o tratamento. Em 1975, o presidente Gerald Ford pediu desculpas para a família de Olson e ofereceu US$ 750 mil de indenização.</p>
<p>A nova história também não convenceu a família do cientista, especialmente o filho mais velho, Eric Olson. Em 1994, ele finalmente conseguiu que o corpo do pai fosse exumado e uma análise forense apontou lesões em seu crânio. Frank teria sido golpeado na cabeça e nocauteado antes de ser atirado pela janela. Os depoimentos recolhidos por Albarelli trazem uma nova versão: ele teria sido assassinado pela CIA. Olson estaria falando demais, revelando segredos da agência. Suspeitavam, inclusive, que estivesse contando histórias sobre uma experiência ultrassecreta realizada numa cidadezinha francesa&#8230;</p>
<p>A ponte</p>
<p>Eis que duas histórias aparentemente sem nenhuma relação se juntam. “Frank andou conversando com três ou quatro pessoas sobre assuntos que não deveria. Ele até mencionou a experiência de Pont-Saint-Esprit”, diz Albarelli. O cientista estava na França na semana do surto coletivo, e o autor sustenta que não era a passeio: “Os documentos e depoimentos não me deixam dúvida: foi uma experiência da CIA em parceria com o exército americano”.</p>
<p>No entanto, Albarelli não arrisca dizer exatamente como foi a experiência em Pont-Saint-Esprit: “Tudo é muito incerto. Um dos depoimentos mostra que eles colocaram a droga em gêneros alimentícios. E eu suspeito que isso signifique o pão”. Ele também diz que, na época, a CIA já tinha a tecnologia necessária para jogar o LSD em forma de aerossol, e que isso poderia explicar o fato de animais também serem atingidos.</p>
<p>Se Frank Olson estivesse realmente dando depoimentos sobre o teste, inclusive falando com a imprensa, a situação ficaria muito ruim para a CIA, que se veria envolvida em uma operação ilegal, em território estrangeiro e que matou quatro pessoas. “Foi por isso que deram LSD para Frank Olson, para interrogá-lo e ver o quanto ele era confiável”, afirma o jornalista. Após o evento em que todos tomaram a droga, ele foi levado para Nova York, testado e novamente interrogado. Ali, tentou escapar e acabou sendo arremessado da janela por dois ex-traficantes recrutados pela CIA.</p>
<p>A hipótese de Albarelli não é exatamente unanimidade. O <acronym>pr</acronym>óprio historiador Steven Kaplan duvida da história: “Os médicos prestaram muita atenção nas alucinações sofridas pela população, mas esse não foi o único sintoma. Além disso, o LSD reage em no máximo uma hora. No caso de Pont-Saint-Esprit, a alucinação demorou mais de um dia para aparecer. Os sintomas iniciais foram os problemas gastrointestinais”.</p>
<p>“Mas acho que devemos ter uma mente aberta”, continua Kaplan. “O problema de Albarelli é que ele não tem nenhuma evidência. Ele tem grandes provas que ligam a CIA com o LSD. Mas muito pouco que liga a CIA com o caso do Pão Maldito. Os papéis que ele apresentou podem simplesmente apontar que a CIA, como o resto do mundo, ficou curiosa com o que aconteceu. Eu digo para ele me mostrar as evidências, ou, por exemplo, por que escolheram uma cidadezinha da França para esse experimento? Se mostrar, vou ser o primeiro a aceitar. Mas se não mostrar, é melhor ele calar a boca.”</p>
<p>De fato, os documentos que Albarelli apresenta são vagos. Um deles transcreve um diálogo entre um agente da CIA e um cientista da Sandoz, laboratório que produzia o LSD. Os dois conversam sobre o “segredo de Pont-Saint-Esprit” e revelam ter conhecimento de que não foi o pão que causou o incidente. Albarelli sustenta que as provas importantes teriam sido destruídas em 1973. De resto, a teoria é baseada em depoimentos, em sua maioria sigilosos, de ex-operativos da agência.</p>
<p>O caso do Pão Maldito continua aberto. Enquanto isso, os últimos sobreviventes da &#8220;viagem&#8221; em Pont-Saint-Esprit vão continuar sem saber o que foi que os tirou de órbita por alguns dias, e os devolveu como parte de um dos capítulos mais misteriosos da história do século XX</p>
<p><strong>Fonte: Revista Galileu &#8211; maio 2010</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/05/populacao-em-delirio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Santinha do Pau Oco</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/05/santinha-do-pau-oco/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/05/santinha-do-pau-oco/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 May 2010 20:50:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[As sombras do bem]]></category>
		<category><![CDATA[Madre Teresa de Calcutá]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=753</guid>
		<description><![CDATA[O inglês Christopher Hitchens preparou um documentário sobre as atividades de Madre Teresa de Calcutá, com farto material filmado, transmitido pela BBC, e publicou um livro em 1995, “The Missionary Position: Mother Teresa In Theory And Practice”, onde chega a conclusão de que ela apoiava os ricos e poderosos e tudo lhes perdoava, enquanto pregava obediência e resignação aos pobres. Seu trabalho provocou muitas reações de repúdio. Seus críticos citaram abundantemente os Evangelhos e o acusaram de crueldade com uma mulher idosa, santa e humilde — mas em nenhum momento contestaram os fatos apresentados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Madre Teresa de Calcutá é considerada uma santa. Assim a opinião pública decidiu — e daí para a frente sua santidade não foi mais questionada, fizesse ela o que fizesse. Pelo contrário, suas ações passaram a ser julgadas com base em sua reputação e não o contrário. Até o Vaticano, que via suas esquisitices com reservas, devido a seu tradicionalismo e oposição a mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II, aceitou o “fato” e passou a capitalizar sobre sua imagem.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.confissoesdiarias.blogger.com.br/mteresa.jpg" alt="" width="340" height="420" /></p>
<p>O papa João Paulo II abriu o processo de sua beatificação a partir de um “milagre” ocorrido na Índia pouco tempo após sua morte, sem esperar os 7 anos regulamentares. A mídia americana evita criticá-la, por medo de serem acusados de conspiração com os judeus.</p>
<p>Mas a verdade, que as pessoas preferem não saber, é que ela era uma fanática religiosa, de extrema direita, e o melhor que podemos supor a seu respeito é que ela acreditava no que fazia — mas também acreditava que os fins justificam os meios.</p>
<p>A imagem que ficou dela é muito positiva. Talvez inspire favoravelmente as pessoas. Talvez as leve a lutar para fazer deste mundo um lugar melhor, a ser como elas pensam que foi Madre Teresa. Mas a verdadeira Madre Teresa não foi necessariamente uma santa. Assim como grande parte dos santos da Igreja Católica, sua fama provavelmente se baseia mais em mitos que em realidade.</p>
<p>Madre Teresa nasceu na Albânia e seu verdadeiro nome era Agnes Bojaxhiu. Sua organização, as Missionárias da Caridade, tem 4.000 freiras e 40.000 voluntários leigos. Sua fama começou com um filme sobre sua vida (e mais tarde um livro, “Something Beautiful for God”) feito pelo político inglês Malcolm Muggeridge em 1969. Malcolm era extremamente crédulo e se encantou com ela, a ponto de ver milagres ocorrendo durante as filmagens, como uma “aura” que apareceu no filme, na verdade o resultado do uso durante o dia de uma película mais apropriada para filmagens noturnas. Mas ele não quis saber de explicações técnicas…</p>
<p>O inglês Christopher Hitchens preparou um documentário sobre suas atividades, com farto material filmado, transmitido pela BBC, e publicou um livro em 1995, “The Missionary Position: Mother Teresa In Theory And Practice”, onde chega conclusão de que ela apoiava os ricos e poderosos e tudo lhes perdoava, enquanto pregava obediência e resignação aos pobres. Seu trabalho provocou muitas reações de repúdio. Seus críticos citaram abundantemente os Evangelhos e o acusaram de crueldade com uma mulher idosa, santa e humilde — mas em nenhum momento contestaram os fatos apresentados.</p>
<p>O livro cita, por exemplo:</p>
<p>•        Sua abjeta bajulação a todas as ditaduras sangrentas do mundo, principalmente as direitistas, como a de Franco, na Espanha, os Duvalier, no Haiti, Enver Hoxha, na Albânia e os esquadrões da morte na Nicarágua e Guatemala. Há registros em filme de suas visitas a esses países e do modo servil como posava ao lado de seus ditadores (ou levava flores para seus túmulos).</p>
<p>•        O modo como aceitava dinheiro e favores de ladrões e corruptos. Um dos casos mais famosos é o de Charles Keatings, do Lincoln Savings and Loan, da Califórnia. Charles era um católico fundamentalista. Foi condenado a 10 anos de prisão por roubar em torno de 252.000.000,00 dólares de 17.000 fundos de aposentadoria de gente humilde. Mas deu a ela mas de um milhão de dólares e lhe emprestava com frequência seu avião particular. Em troca, ele fazia uso de seu prestígio como “santa”.</p>
<p>Quando a fraude — e os donativos — foram descobertos, ela enviou ao juiz (Lance Ito, o mesmo do caso O. J. Simpson) uma carta no estilo “freirinha ingênua”, bem diferente de seus outros escritos, em que pintava o acusado como um homem bom que sempre ajudara os pobres. Pedia ao juiz que olhasse no fundo de seu coração antes de emitir seu julgamento e se perguntasse o que Jesus faria naquele caso. O promotor, Paul W. Turley, respondeu-lhe explicando que o dinheiro que ela tinha recebido era produto de roubo e deveria ser devolvido, já que representava as economias de toda a vida de milhares de pessoas humildes. E perguntava a ela o que Jesus faria se recebesse um dinheiro como aquele. Não teve resposta.</p>
<p>•        Quando a Irlanda organizou um referendo popular para decidir a continuidade ou não da proibição ao divórcio, Madre Teresa voou até lá e fez veementes discursos exortando o povo a votar a favor da proibição. Entretanto, quando sua amiga, a princesa Diana, se divorciou, ela declarou publicamente: “Foi melhor assim. Ela não era feliz nesse casamento”. Fica a dúvida se, neste caso, ela falou com o coração ou se, para os poderosos, tudo é permitido.</p>
<p>•        Quando a fábrica da Union Carbide explodiu em Bhopal, matando milhares de pessoas, ela saiu pelo país dizendo: “Perdoem, perdoem, perdoem”. Tudo bem se perdoar a negligência de uma multinacional. Mas, aparentemente, não há perdão para uma pobre mãe que se divorcia do marido bêbado que a espanca e abusa dos filhos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://cmps25.files.wordpress.com/2010/01/madretereza.jpg" alt="" width="454" height="720" /></p>
<p>•        Ela sempre foi radicalmente contra todo e qualquer controle da natalidade. Quando lhe perguntaram se não nasciam crianças demais na Índia, ela respondeu: “Não concordo. Deus sempre provê. Provê para flores e os pássaros, para tudo o que ele criou. E as criancinhas são sua vida. Nunca nascerá o bastante”. É de se perguntar qual a função das Missionárias da Caridade, neste caso.</p>
<p>•        As pessoas enviavam a ela milhões e milhões de dólares em donativos para que ela construísse seus hospitais. Apenas numa conta nos EUA, havia mais de 50 milhões de dólares. O resto estava espalhado pelo mundo (menos na Índia, onde ela teria que prestar conta pelo que recebia). Entretanto, esse dinheiro era usado para construir novos conventos da ordem pelo mundo. Quando ela morreu, as irmãs já estavam instaladas em 150 países. Seus hospitais eram, na verdade, galpões rústicos e mal equipados aonde as pessoas iam para morrer. Não havia médicos nem higiene e os “diagnósticos” eram feitos por leigos, como as irmãs e os voluntários. E não havia interesse em se encaminhar os doentes para hospitais de verdade. A idéia era a de que se deitassem nas macas ou no chão e sofressem até morrer. Em todos eles havia um quadro na parede que dizia: “Hoje eu vou para o Céu”. Faltava morfina, anestésicos e antibióticos. Apesar dos milhões nos bancos, que permitiriam a construção de hospitais-modelo, a economia era a palavra de ordem. As injeções, quando havia o que injetar, eram feitas com agulhas lavadas na torneira e que eram usadas até ficarem rombudas e provocarem enorme sofrimento nos doentes. Penalizadas, as voluntárias pediam dinheiro para comprar agulhas novas, mas as irmãs insistiam na virtude da pobreza. E quando uma irmã ficava doente? “Reze”, era a resposta.</p>
<p>Aliás, Madre Teresa dava grande importância ao sofrimento. Dizia que o sofrimento dos pobres purificava o mundo e que eles davam um belo exemplo (e, naturalmente, não fazia nada para reduzí-lo). Será que alguém perguntou a opinião dos pobres? Note-se, contudo, que quando ela própria ficava doente, corria a internar-se nos melhores e mais caros hospitais, jamais em suas “Casas de Moribundos”.</p>
<p>Para sermos honestos, Madre Teresa nunca afirmou que seu objetivo era dar assistência médica. São as pessoas que se auto-iludem. Assim, elas têm a quem enviar seus donativos, sem perguntar o que é feito deles, e podem aliviar sua própria consciência e seu sentimento de culpa pela pobreza do Terceiro Mundo. É claro que Madre Teresa nunca fez nada para desmentir esta falsa impressão.</p>
<p>•        Madre Teresa dizia que a AIDS era o castigo de Deus por um comportamento sexual inadequado (o que não explica por que esposas fiéis também pegam AIDS de seus maridos e crianças pegam de suas mães).</p>
<p>•        Apesar de toda sua fortuna, Madre Teresa insistia em manter a imagem de uma ordem de irmãs pobres e mendicantes. Tudo tinha que ser mendigado a cada dia: comida, roupas, serviços. Se a coleta fosse pequena, comia-se menos. Em certa ocasião, as irmãs receberam um grande carregamento de tomates e, para que não se estragassem, fizeram extrato. Foram severamente repreendidas por Madre Teresa: “Quem guarda comida de um dia para o outro, está duvidando da Providência Divina”.</p>
<p>•        Ela procurava manter uma imagem pública de pessoa humilde — mas não via nada de mais em aceitar as ofertas para viajar de primeira classe que as linhas aéreas lhe faziam. E foi assim que ela viajou a Roma para o seu primeiro encontro com o papa. Ao desembarcar, vestiu seu humilde sari e tomou um ônibus. É claro que, no dia seguinte, todos os jornais a retrataram como a freirinha humilde que andava de ônibus e se vestia pobremente, sem se perguntar como é que ela teria conseguido viajar até a Itália.</p>
<p>Agora o Vaticano quer beatificá-la s pressas, sem esperar que se passem os 7 anos regulamentares de sua morte para iniciar o processo. E o milagre que foi aceito como evidência de sua santidade é, no mínimo, supeito: Monica Besra, 30 anos, analfabeta, da aldeia de Dangram, a noroeste de Calcutá, em 1998, um ano após a morte de Madre Teresa, se disse curada de um tumor no ovário após tocá-lo com uma medalha da “santa”.</p>
<p>Os médicos do hospital Balurghat afirmam que a cura foi resultado do tratamento a que ela foi submetida e nem seu marido, Seiku Murmu, acredita nela. Em agosto de 2001 o “milagre” foi informado ao Vaticano e aceito duas semanas depois, tendo início o processo de beatificação. A irmã Betta, das Missionárias da Caridade, pediu para ver o prontuário da paciente, onde sonografias e relatórios mostravam a evolução do tratamento, e agora se recusa a devolvê-lo ou a fazer comentários.</p>
<p>Autor: Fernando Silva</p>
<p>Fontes: Christopher Hitchens – “The Missionary Position: Mother Teresa In Theory And Practice” e notícias diversas na Internet</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/05/santinha-do-pau-oco/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Minha Bossa Vol.2 &#8211; DJ Roosevelt</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/04/minha-bossa-vol-2-dj-roosevelt/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/04/minha-bossa-vol-2-dj-roosevelt/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 14:19:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Music Download]]></category>
		<category><![CDATA[Adani and Wolf]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Metric]]></category>
		<category><![CDATA[Bonde do Role]]></category>
		<category><![CDATA[Bootlegs]]></category>
		<category><![CDATA[Database]]></category>
		<category><![CDATA[Disco]]></category>
		<category><![CDATA[DJ Roosevelt]]></category>
		<category><![CDATA[Ed Royal]]></category>
		<category><![CDATA[Electro]]></category>
		<category><![CDATA[Felix da Housecat]]></category>
		<category><![CDATA[Funky]]></category>
		<category><![CDATA[Gorillaz]]></category>
		<category><![CDATA[Groove Armada]]></category>
		<category><![CDATA[Hip Hop]]></category>
		<category><![CDATA[Mashup’s]]></category>
		<category><![CDATA[Minha Bossa]]></category>
		<category><![CDATA[N.A.S.A.]]></category>
		<category><![CDATA[Nu Jazz]]></category>
		<category><![CDATA[Parov Stelar]]></category>
		<category><![CDATA[Passion]]></category>
		<category><![CDATA[Phonat]]></category>
		<category><![CDATA[Soulful House]]></category>
		<category><![CDATA[Space]]></category>
		<category><![CDATA[Vitalic]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=744</guid>
		<description><![CDATA[Com prazer venho apresentar a segunda edição do Minha Bossa. Um set que mistura Nu Jazz, Hip Hop, Disco, Soulful House, Space, Funky, Electro e pitadas bem humorada de Mashup’s, Bootlegs e até psicodelia =] Diferente do 1º, não tem a intenção de acentuar só timbres jazzísticos. É uma jornada fruto dos dias quentes, chuvas do meio do dia e noites frescas, sendo a principal inspiração o por do sol na estação do outono. O set te leva pra dançar na linha do horizonte, nas nuvens coloridas do por do sol, e no fim, te entrega à lua, pra embalar as melhores expectativas de quem gosta de viver as noites do Rio de Janeiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Roosevelt Soares</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-745" title="minhabossa_v2" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/04/minhabossa_v2.jpg" alt="minhabossa_v2" width="671" height="671" /></p>
<p>Fala pessoal.</p>
<p>Com prazer venho apresentar a segunda edição do <strong>Minha Bossa</strong>. Um set que mistura <strong>Nu Jazz</strong>, <strong>Hip Hop</strong>, <strong>Disco</strong>, <strong>Soulful House</strong>, <strong>Space</strong>, <strong>Funky</strong>, <strong>Electro</strong> e pitadas bem humorada de <strong>Mashup’s</strong>, <strong>Bootlegs </strong>e até psicodelia =]</p>
<p>Diferente do 1º, não tem a intenção de acentuar só timbres jazzísticos. É uma jornada fruto dos dias quentes, chuvas do meio no dia e noites frescas, sendo a principal inspiração o por do sol na estação do outono. O set te leva pra dançar na linha do horizonte, nas nuvens coloridas do por do sol, e no fim, te entrega à lua, pra embalar as melhores expectativas de quem gosta de viver as noites do Rio de Janeiro.</p>
<p>A palavra &#8216;bossa&#8217; era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos cinqüenta, significava &#8216;jeito&#8217;, &#8216;maneira&#8217;, &#8216;modo&#8217;. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha &#8216;bossa&#8217;. A expressão surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo&#8230;</p>
<p>Diferentes harmonias, poesias mais simples, novos ritmos. &#8211; Ritmo é batida, como do relógio, do pulso, do coração &#8211; Nesse contexto “Bossa” é batida, poesia, mestres diferentes. Não que seja melhor nem pior. Apenas diferente, mais intimista, mais refinado, mais alegre, otimista. Não começou especificamente num lugar, numa rua, num evento, num Festival. A rigor, “Bossa” não é nem um gênero musical. É o tratamento que se dá ao pensar a música.</p>
<p><strong>Músicos:</strong></p>
<p>Phonat</p>
<p>Adani and Wolf</p>
<p>Ed Royal</p>
<p>Parov Stelar</p>
<p>Database</p>
<p>Bonde do Role</p>
<p>N.A.S.A.</p>
<p>Vitalic</p>
<p>Gorillaz</p>
<p>Alex Metric</p>
<p>Groove Armada</p>
<p>Passion</p>
<p>Felix da Housecat</p>
<p>+ sampler, mashup e bootlegs.</p>
<p><strong>Infos técnicas:</strong></p>
<p>2 cdj 100s Pioneer</p>
<p>Sound Forge</p>
<p>Mixer Beringer DJX700</p>
<p>Duração 55:00min<br />
Taxa de bits: 192 kbps</p>
<p>Espero que comentem após escutar. É sempre ótimo ler as impressões de quem escutou, mesmo que não tenha curtido.</p>
<p><a href="http://www.4shared.com/file/256787245/760315ed/DJ_Roosevelt_-_Minha_Bossa_2_P.html" target="_self"><img class="size-full wp-image-747 alignleft" title="4shared" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/04/4shared.jpg" alt="4shared" width="180" height="40" /></a></p>
<p><a href="http://soundcloud.com/roosevelt/dj-roosevelt-minha-bossa-vol2" target="_self"><img class="size-full wp-image-748 alignleft" title="soundclound" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/04/soundclound.jpg" alt="soundclound" width="180" height="40" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/04/minha-bossa-vol-2-dj-roosevelt/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Não entre. Concentrações letais de monóxido de carbono</title>
		<link>http://subversivo.com.br/2010/03/nao-entre-concentracoes-letais-de-monoxido-de-carbono/</link>
		<comments>http://subversivo.com.br/2010/03/nao-entre-concentracoes-letais-de-monoxido-de-carbono/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 13:07:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Cicuta]]></category>
		<category><![CDATA[Allegro Discos]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Gageiro Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Yoñlu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://subversivo.com.br/?p=734</guid>
		<description><![CDATA[Por volta das 12 horas Vinícius ligou para o celular da mãe, avisando que os amigos tinham chegado pra seu churrasco e que estava “tudo bem”. Às 13 horas, os pais deixaram o violão do filho, que estava no conserto, na portaria do prédio. Vinícius foi buscá-lo. Três horas depois, os pais leriam: “Para garantir uma margem segura de tempo, inventei a história do churrasco, pedindo para que vocês saíssem de casa durante todo o dia. (...) Essa medida fez com que o churrasco de hoje parecesse um grande progresso no que tange a minha condição psíquica, quando na verdade era justamente o contrário”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Eu acredito que a cadência e a harmonia certa no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’<strong> </strong></p>
<p>Essa frase é de um adolescente de 16 anos. Um garoto que amava Radiohead, Mutantes e Vitor Ramil. Foi escrita no dia de seu suicídio. Era parte de sua carta de despedida. Ele dizia aos pais que a música era a melhor maneira de enfrentar o desespero que viria. Antes de começar a morrer, colou a carta no lado externo da porta do banheiro. Acima dela, um cartaz: “Não entre. Concentrações letais de monóxido de carbono”. Vinícius ligou o aparelho de som – “porque é bom morrer com música alegre” – e entrou.</p>
<p>Essa frase escrita na morte se transformou num legado de vida ao ser impressa no encarte do seu CD, lançado pela Allegro Discos em 2007, com 23 músicas de sua autoria. Parte delas foi entregue aos pais na forma de uma herança às avessas: “Deixei na mesa do computador um envelope vermelho da Faber-Castell que contém um CD com algumas de minhas músicas”. <a href="http://letras.terra.com.br/yolu/" target="_blank">Yoñlu</a>, o título do CD, é o nome com o qual batizou a si mesmo no mundo em que circulava com mais desenvoltura: a internet.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-735" title="vini" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/03/vini.jpeg" alt="vini" width="377" height="374" /></p>
<p>Ambos, Vinícius e Yoñlu, morreram por asfixia por volta das 15h30 de uma quarta-feira de inverno, 26 de julho de 2006. Vinícius Gageiro Marques (Yoñlu),  marcou seu suicídio no mundo virtual para as 11 horas de 26 de julho de 2006. No mundo real, Vinícius estava havia dois meses em internação domiciliar por determinação de seu psicanalista. Ele era um garoto superdotado, descrito como “extraordinariamente inteligente” e “extremamente sensível”. Filho único do casamento de um professor universitário que foi secretário de Cultura do Rio Grande do Sul com uma psicanalista, ele teve todo o estímulo para desenvolver inteligência e sensibilidade. Alfabetizou-se em francês quando a mãe fazia doutorado em Paris com a historiadora e psicanalista Elizabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan. Mas o mundo doía em Yoñlu, como mostram as letras de muitas de suas músicas. Sua questão não era morrer, mas fazer a dor parar.</p>
<p>Vinícius criou uma fantasia para enganar os pais: a de um adolescente “normal”. Disse a eles que queria fazer um churrasco para os amigos, que estava interessado numa “guria”, que preferia não ter os pais por perto. Dias antes, pediu ingresso para um show que aconteceria depois de sua morte, iniciou um tratamento de pele, foi ao supermercado comprar a carne. Simulou um futuro onde não pretendia estar.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-736" title="yoonlku" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/03/yoonlku.jpg" alt="yoonlku" width="490" height="267" /></p>
<p>Vinícius parecia “curado” no mundo real. Na internet, porém, Yoñlu pedia instruções sobre o melhor método de suicídio. Em 23 de junho, comentou que adiaria sua morte porque muita gente estava elogiando suas músicas. A faixa 10 do CD, “Deskjet Remix”, em parceria com um DJ escocês, tocava em festas eletrônicas de Londres. O mundo virtual de Yoñlu alcançava gente de vários países em sites de suicídio e fóruns de música, com quem conversava num inglês desenvolto.</p>
<p>Yoñlu compunha, fazia os arranjos, tocava piano e violão.</p>
<p><strong>Os fones de ouvido eram o caderno dele. Não levava nada, não ouvia o professor e depois passava por média em tudo’’</strong><strong><br />
</strong>GENOVEVA GUIDOLIN, orientadora educacional do Colégio Rosário</p>
<p>Enquanto Vinícius tecia uma fantasia no mundo real e sua mãe arrumava a mesa para o churrasco de ficção. Bem ali perto, o computador anunciava a morte do filho pelo método conhecido como “barbecue”. Por volta de 11h15, os pais saíram do apartamento que ocupa três andares de um prédio da família, num bairro de classe média de Porto Alegre. Por volta das 12 horas Vinícius ligou para o celular da mãe, avisando que os amigos tinham chegado e que estava “tudo bem”. Às 13 horas, os pais deixaram o violão, que estava no conserto, na portaria do prédio. Vinícius foi buscá-lo. Três horas depois, os pais leriam: “Para garantir uma margem segura de tempo, inventei a história do churrasco, pedindo para que vocês saíssem de casa durante todo o dia. (&#8230;) Essa medida fez com que o churrasco de hoje parecesse um grande progresso no que tange a minha condição psíquica, quando na verdade era justamente o contrário”.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-737" title="4722838" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/03/4722838.jpg" alt="4722838" width="482" height="321" /></p>
<p>O que aconteceu depois foi gravado por Yoñlu no computador. Às 14h28, ele postou num grupo de discussão, sempre em inglês: “Estou fazendo esse método CO (suicídio por inalação de monóxido de carbono) neste momento e tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está a foto. Alguém pode me dizer se há carvão suficiente e quando eu posso entrar no banheiro e me deitar? Por favor, por favor, me ajudem! Eu não tenho muito tempo”.</p>
<p>Uma canadense avisou a polícia gaúcha que um garoto se suicidava na internet. A foto mostra duas churrasqueiras portáteis com chamas, uma ao lado da outra, num banheiro. Às 14h42, alguém diz: “Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer. Talvez você volte daqui a pouco tossindo”. Dois minutos depois, Yoñlu escreve: “Ah, meu Deus. Eu não consigo suportar o calor, está tremendamente quente naquele banheiro. O que eu devo vestir para se tornar mais suportável? Eu tomei uma ducha antes, mas não adiantou nada. O que eu posso fazer? E o que eu devo fazer para desmaiar, por Deus?”.</p>
<p>Um bombeiro aposentado de Chicago, segundo o inquérito policial, orientou Yoñlu a retirar as roupas, encharcar algum pano e se enrolar nele para suportar o calor até o momento de desmaiar. O último post de Yoñlu, de Gay Harbour, como ele chamava causticamente Porto Alegre, foi às 15h02. Muito tempo depois, alguém escreveu: “Acho que funcionou, já que ele não entrou mais em contato”.</p>
<p>Às 15h45, o policial federal Enrico Canali, de Porto Alegre, foi chamado ao telefone porque era fluente em  inglês. No outro lado da linha estava o policial Ken Moore, de Toronto, no Canadá. Lindsey, uma universitária canadense, amiga virtual de Yoñlu, procurou a polícia de sua cidade para avisar que alguém no sul do Brasil estava se suicidando. Deu o endereço de Vinícius, obtido com outro amigo virtual. Canali acionou a Polícia Militar.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-738" title="yonlu_musicasocial" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/03/yonlu_musicasocial.jpg" alt="yonlu_musicasocial" width="498" height="348" /></p>
<p>Os PMs Volmir da Silva Ramos, sargento, e Fernando Hermann Heck, soldado, tentavam conter uma mulher em surto psicótico debaixo de um viaduto quando foram chamados pela central. Eram 16h10. A zeladora do prédio demorou 15 minutos para deixá-los entrar, assustada com a presença da polícia narrando uma história que soava absurda. Chamou o avô de Vinícius, que morava em outro apartamento do mesmo prédio. “Não é possível. Só meu neto está aqui, e ele está com os amigos, numa festa”, ele teria dito aos policiais. A cena que encontraram não precisa ser descrita.</p>
<p>Durante cerca de uma hora, o serviço médico tentou reanimar Vinícius. Ele explicou aos pais na carta: “O método que escolhi foi intoxicação por monóxido de carbono, é indolor e preserva o corpo intacto, mas demora, e se a pessoa é resgatada antes de morrer fica com graves lesões cerebrais e torna-se um vegetal”.</p>
<p><strong>Eu dizia que ele era um velho brincando de adolescente na rede. Dizia sai, deixa para os netos. Então ele me mandava a voz para provar que era jovem’’</strong><strong><br />
<strong>FELIPE DI MELO, de 19 anos,</strong><br />
<strong>amigo virtual </strong></strong></p>
<p>Quando o sargento constatou que estava tudo acabado, puxou o pai e a mãe do menino para que ficassem juntos – “porque agora só teriam um ao outro” – e foi embora. Os pais nem precisariam ter lido a carta para entender: “Não houve churrasco, não havia colegas nem guria que eu goste. Peço desculpas pela maneira trapaceira com que arranjei meu suicídio. Peço desculpas também pela maneira assustadora com que a notícia chegará a vocês. Foi a maneira que encontrei de garantir um dia inteiro sozinho a fim de conduzir o procedimento da maneira mais segura”.<br />
Vinícius era um garoto de 1,83  metro de altura, magro e bonito. Mas não era essa a imagem que via. Em alguns momentos, segundo o inquérito, sentia que seu corpo se desintegrava, que seu rosto estava deformado. Procurava então um espelho para ter certeza de que estava ali. Na escola, quando tinha essa sensação, levava um CD para poder se olhar sem chamar a atenção. Aos 12 anos, ele já lia Kafka.</p>
<p><strong>Yonlu &#8211; A Society In Which No Tear Is Shed Is Inconceivably Mediocre  (2009)</strong></p>
<p><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-739" title="311t" src="http://subversivo.com.br/wp-content/uploads/2010/03/311t.jpg" alt="311t" width="500" height="500" /></strong></p>
<p>A gravadora Luaka Bop lançou em 14 de abril de 2009 nos Estados Unidos, finalmente, o disco póstumo de YOÑLU, apostando no denso trabalho conceitual do jovem gaúcho, o selo de propriedade do músico americano David Byrne bolou o belíssimo e criativo site <a href="www.luakabop.com/yonlu" target="_blank">www.luakabop.com/yonlu</a>, em que dá pra curtir as músicas e os desenhos do próprio Yoñlu, reproduzidos no encarte do CD.</p>
<p>Batizado de A Society in which No Tear Is Shed&#8230;, o álbum tem 14 faixas – o editado pela Allegro no ano passado reunia 23 músicas. Em compensação, o disco gringo traz canções que ficaram de fora do brasileiro, como uma versão de &#8220;Estrela, Estrela&#8221;, de Vitor Ramil, e o sambinha de protesto &#8220;Olhe por Nós&#8221;, em  que Yoñlu detona um político gaúcho da atualidade: “Pra piorar, até governador tu quer virar / Para o Rio Grande governar / E do poder se aproveitar / Mas eu não vou deixar”.</p>
<p>A singular mistura de folk, música eletrônica, samples, MPB e ruídos de Yoñlu já está chamando a atenção da crítica musical lá fora. Sites especializados como o All Music vêm saudando a criatividade do trabalho do garoto, comparando-o a nomes como Nick Drake, Elliott Smith e Radiohead.</p>
<p>01 &#8211; I Know What It&#8217;s Like ( 3:03)<br />
02 &#8211; Boy And The Tiger ( 5:44)<br />
03 &#8211; Humiliation ( 1:57)<br />
04 &#8211; Polyalphabetic Cipher ( 3:57)<br />
05 &#8211; Q-Tip ( 3:33)<br />
06 &#8211; Little Kids ( 1:20)<br />
07 &#8211; Katie Don&#8217;t Be Depressed ( 3:43)<br />
08 &#8211; Deskjet (Remix) ( 1:17)<br />
09 &#8211; Estrela, Estrela ( 3:21)<br />
10 &#8211; Olhe por Nós ( 1:55)<br />
11 &#8211; Suicide ( 1:59)<br />
12 &#8211; Luona ( 3:34)<br />
13 &#8211; Phrygian ( 1:30)<br />
14 &#8211; Waterfall ( 3:53)</p>
<p><a href="http://www.easy-share.com/1904546248/Yonlu%20%282009%29%20A%20Society%20In%20Which%20No%20Tear%20Is%20Shed%20Is%20Inconceivably%20Mediocre%5BDURANGO-95%5D.rar" target="_blank"><strong>DOWNLOAD</strong></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://subversivo.com.br/2010/03/nao-entre-concentracoes-letais-de-monoxido-de-carbono/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
