
Apesar do tema sombrio pra alguns, estou trabalhando o tema suicídio, por ser um tema que não encontro facilmente por ai, a não ser em visões extremamente egoistas e que não ajudam em nada nem as familias, amigos e os proprios suicidas. Além de que, com esses post’s iniciais, estou preparando um raciocínio pra discutir temas e fatores que pontecializam o suicídio, como a depressão, por exemplo. Quero lembrar que não estou interessado em passar valores morais e éticos. Apenas expressar um raciocinio. Valores morais e éticos, ocupam niveis sem importancia pro suicida quando em ralação ao ato de elaborar a propria morte. Logo, evocar esses valores, pra justificar sua existência, não são eficaz.
Não é um tema que escolhi do dia pra noite. Nem escolhi pra chamar atenção. Escrevo porque eu mesmo já tentei, e durante anos refleti muito sobre o tema, até optar em continuar vivo. E esse caminho foi extremamente solitário. Se não tivesse conseguido encontrar forças e vontade de viver, não estaria aqui hoje. Quero talvez, ajudar pessoas interessadas no assunto a pensar claramente sobre tudo isso.
Desde muito pequeno, não vejo os suicidas como seres covardes, que devem ser apagados de nossa memória instantaneamente como se fosse uma punição por eles terem optado não viver. Vejo os suicidas com todo o respeito possível, da mesma forma que vejo os vivos. Acho uma baita maldade egoísta sair por ai criticando alguém que optou pela sua própria morte. Chamam os suicidas de egoístas, mas o que é isso mesmo?
“Egoísmo (ego + ísmo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona.”
Se uma pessoa escolhe a morte no lugar da vida, sem duvida, entre os motivos, existe dor. E o que você faz quando sente dor? Provavelmente procura conforto em espiritualidade, religião, médico ou algo que possa fazer essa dor parar. A dor e o sofrimento pela dor, é naturalmente combatido. No momento final de um suicida, é como se todas as travas de segurança, que o prendem na vida, se rompessem de uma forma tão absurda, que não existe remédio que possa salvar aquela vida.
Por que continuar vivo sofrendo? Apenas pra não desapontar o mundo e as pessoas que estão a sua volta? O sujeito não tem o direito de interromper o seu sofrimento? Ou tem que viver sofrendo mesmo, até o fim, como se a vida fosse uma prova digna de reality show – o Big Brother esta vendo tudo e há um pavor constante de ir pro paredão.
Egoísta é quem não respeita a dor dos outros, em minha visão doida do mundo. Que por mais imperceptível que a dor de um suicida possa se manifestar, deve ser levado em consideração que provavelmente a capacidade de incompreensão de quem o critica, o torna muito mais egoísta do que o suicida. E muitos além de egoísta são perversos. Mas acredito que isso não seja intencional, apenas uma reação estúpida por falta de raciocinar uma questão que em sua maioria é somente guiada pelo calor dos sentimentos. Ainda mais quando esse assunto não pode ser discutido publicamente e vira um Tabu.
Pra viver é preciso sim, muita coragem. É preciso muito um monte de coisas, principalmente gostar muita de estar agarrado a essa rocha e a tudo que esta em seu micro universo. E algumas pessoas não vêem tanta graça ou necessidade disso, seja realmente por um processo doentio ou por algo que ainda não compreendemos.
Morrer poderia ser uma forma de transcendência? De desprendimento total das coisas que fazem parte da vida? Acho perigoso pensar por esse lado se você tiver tendência suicida. Mas pra quem perdeu alguém que se desligou da vida por vontade propria, é uma visão válida e possivelmente com doses de verdade.

“Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos…”1
“Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento, contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme maioria jamais nem saiu?”²
Por mais que as pessoas queiram, não existe pra onde ir – céu, inferno, vidas futuras. Estamos aqui. Tudo se encontra aqui e nesse exato momento. Você existe hoje e uma infinidade de fatores que ocorreram durante bilhões de anos, foram os únicos responsáveis pela sua criação nesse exato momento e isso não poderia ter sido, nem será, em outro tempo que não esse. Isso não é suficiente pra perceber a grandeza que é existir (e não importa a duração do seu existir)?
“numa experiência de sua infância. Alguma coisa de que você se lembre bem, alguma coisa que você consiga ver, sentir, talvez até cheirar, como se estivesse mesmo lá. Afinal de contas você estava mesmo lá naquela época, não estava? Senão, como iria lembrar? Mas aqui vem a bomba: você não estala lá. Nem um único átomo que está em seu corpo hoje estava lá quando aquilo aconteceu [...] Se isso não faz você sentir um calafrio na espinha, leia de novo até que faça, porque isso é importante.”
Estamos em constante mudanças. Morremos e nascemos todos os dias.
Se você não é um ícone mundial, nem mesmo do seu bairro, é apenas um simples mortal que não tem sua imagem reproduzida por tudo quanto é canto. Provavelmente sua vida resista após a morte, na memória de algumas poucas pessoas, que com o tempo tenderam a te apagar da memória também, principalmente quando elas deixarem a vida, ou se recusarem a sofrer. E isso é o máximo que você poderá ter de vida após morte – lembrança temporária em outras mentes.
Em nossa mente. Pessoas que morreram ainda falam, andam, se comunicam com você. Não por que elas estão fazendo isso, de fato, mas porque você deseja e produz naturalmente esse efeito, pra minimizar uma dor.
No fundo é dor que todos querem evitar!

¹ – “Desvendando o arco íris”, Richard Dawkins
² – “Deus, um delírio”, Richard Dawkins
3 – Steve Grand















“Egoísta é quem não respeita a dor dos outros, em minha visão doida do mundo”
Concordo :]
ótimo texto, sua visão sobre isso é admirável