Prayers for Bobby (Orações para Bobby)

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Sabe quando a gente carrega uma ideologia a vida inteira e de repente acontece algo e muda totalmente o nosso modo de pensar? Esta foi a situação que Mary Griffith passou. Mary, hoje com 74 anos, foi uma mulher criada nos padrões mais rígidos da religiosidade. Nascida numa família tipicamente católica em 1934, era uma criança insegura. A ameaça da condenação era tão constante na sua vida, que uma vez ela chegou a sonhar que Deus a estava perseguindo.

Mary viu sua vida inteira mudar durante a fase adolescente do seu filho Bobby Griffith – um menino feliz, inteligente e obediente – que durante essa fase teve a constatação de que sua atração por outros adolescentes de sua idade ou mais velhos, não eram por meninas e sim por meninos.

Por ser um devoto cristão ele estava muito consciente dos ensinamentos da Igreja que freqüentava juntamente com seu irmão, duas irmãs e sua mãe que ensinava na escola dominical. Bobby desde cedo aprendeu que ser gay era um dos piores pecados. Ao mesmo tempo que ele percebia de forma solitária, que ser gay não era uma opção da qual podemos simplesmente mudar, ele passou a acreditar ser um doente de corpo e deficiente de alma, que queimaria no inferno por toda a eternidade e que não era digno do amor de Deus.

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Ao revelar a sua família, que acreditava ser gay. Bobby foi submetido a terapias de cura e sua mãe citava incessantemente versículos da Bíblia numa campanha cruel para convencê-lo a deixar de ser gay. Bobby cada vez se tornando conciente de que não poderia simplismente deixar de ser gay, pra agradar a mãe ou a Deus, tentava abrir a mente de sua mãe, dando-lhe livros sobre homossexualidade, mas nada a fazia mudar de opinião.

Incapaz de lidar, diariamente, com os conflitos e lutas tanto com a sua família quanto com a sua religião, Bobby decidiu pular de uma ponte sobre uma movimentada estrada em Portland, Oregon, em 27 de agosto de 1983 e morreu instantaneamente, esmagado por um caminhão de 18 rodas, com apenas 20 anos de idade.

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Com o choque da atitude inesperada de Bobby , Mary se vê numa encruzilhada, convencida de ser a culpada pelo suicídio do filho, ela começa a reconsiderar sua interpretação da homossexualidade X religiosidade. Enquanto para a maioria das pessoas pouco importava se Bobby estava no céu ou no inferno, Mary realmente gostaria que seu filho estivesse no céu. Ela passa a procurar respostas na própria religião. Vasculhando o quarto do filho para encontrar estas respostas, ela se depara com um diário onde ele escreveu muitos de seus medos e angústias:

“Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim. Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da terra”.

Bobby Griffith aos 16 anos

Bobby Griffith aos 16 anos

Bobby tinha 16 anos quando escreveu as palavras acima. Ele desapareceu, mas as suas angústias sobreviveram personificadas na imagem da sua mãe. Tal angústia materna supera e vence os ranços religiosos. Quebra os paradigmas sobre a palavra de Deus e suas interpretações por parte dos religiosos intolerantes e homofóbicos.

A história de Mary e Bobby Griffith é muito conhecida entre estudiosos da homossexualidade. Hoje Mary é uma conhecida ativista e presidente da ‘Associação Nacional de Pais, Familiares e Amigos de Lésbicas e Gays’ (PFLAG).

Sua história inspirou um livro escrito pelo jornalista Leroy Aarons, em 1995, que é fundador do National Lesbian and Gay Journalists Association.

Em 2009 a historia virou uma série televisiva norte-americana, chamada Prayers for Bobby (Orações para Bobby) , e foi considerado um sucesso para uma produção com um assunto tão dramático. Foram cerca de 3,8 milhões de espectadores na estréia no sábado (24 de janeiro de 2009) e 2,3 milhões na reprise no domingo. O número de acessos ao site do canal Lifetime (que exibiu o filme) disparou 169%, com internautas sedentos por mais informações sobre o filme, tema obrigatório na comunidade gay de lá na semana em que foi exibido.

Bobby Griffith aos 20 anos

Bobby Griffith aos 20 anos

Os especialistas entendem que uma correta educação das famílias sobre o assunto ajudaria a prevenir tragédias como essa. Hoje, 30 anos depois de sua morte, mesmo em metrópoles, as famílias de todos os credos e classes sociais ainda encurralam seus filhos gays para quadros de depressão, revolta e desesperança. Há diversos estudos alertando que a taxa de suicídios é explosiva entre jovens homossexuais, principalmente entre efeminados, usuários de álcool e drogas, que não resistem a tanta pressão e angústia.

“Um em cada três homossexuais tentou se suicidar pelo menos uma vez nos EUA”, cita a psicoterapeuta Marina Castañeda, em “A Experiência Homossexual” (editora A Girafa, 2007, 327 págs), hoje um dos melhores livros com explicações e conselhos para gays, suas famílias e terapeutas. “A construção da identidade gay dura, em média, 15 anos. Isso implica um longo período de incerteza que, evidentemente, tem um custo afetivo muito elevado. Os anos que muitos homossexuais passam se perguntando e explorando sua sexualidade poderiam explicar seu isolamento e sua imaturidade em certos campos.

Em inúmeros casos passaram boa parte de sua juventude em conflitos internos ou em relações problemáticas, engajados na difícil tarefa de compreender a sua identidade sexual”, escreve Castañeda. Opressão religiosa, uma família esclarecida poderia ajudar bastante a reduzir as taxas de suicídio.

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Em “Orações para Bobby”, pelo contrário, a mãe anda com a Bíblia debaixo do braço e prega post-its com mensagens religiosas no banheiro lembrando o filho do seu pecado. O irmão é a primeira pessoa para quem Bobby se abre, ao contar que sonha com homens, e não com meninas. A atuação do jovem suicida ficou a cargo do ator Ryan Kelley, 22, que fez participações em séries de TV como “Smallville” e “Ghost Whisperer”. Críticos avaliaram bem a interpretação do rapaz, mas ponderam que ele teve a ajuda do trabalho extraordinário de Sigourney Weaver, principalmente nos diálogos em que tenta convencer sua mãe de que não é culpado por sua homossexualidade.

A trilha também ressalta o clima deprê do caso, com destaque para o hit “Hope for the Hopeless”, da cantora e pianista A Fine Frenzy. Filmes como “Orações para Bobby” fazem parte de uma nova safra de produções com foco em conflitos homossexuais, antes restrita ao circuito alternativo.

“Mas se Deus é tão poderoso e perdoa tudo, por que não salvou a vida de Bobby?”

É entre a palavra de Deus e a memória do filho que Mary Griffith tem que escolher.

O filme esta em exibição no canal Studio Universal da Sky e pode ser encontrado pra download na internet como nesse link:

Os Griffith

Os Griffith

2 Comments »

  1. avatar Felipe Says:

    Parece ser muito interessante, vou baixar para ver.

    Obrigado pela dica.

    Felipe, Belo Horizonte.

  2. avatar admin Says:

    =]
    Assista que você vai gostar. A Sigourney Weaver esta incrivel!

    Abs.

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